Infância

"Adotar duas crianças me fez rejuvenescer", diz psicólogo de 65 anos

Leo Drumond /NITRO/UOL
O psicólogo Amadeu Roseli Cruz, 65, no quarto das filhas, Lalá e Lili, em Belo Horizonte imagem: Leo Drumond /NITRO/UOL

Melissa Diniz

Do UOL, em São Paulo

O psicólogo e professor Amadeu Roseli Cruz, 65, de Belo Horizonte (MG), levou muito tempo para concretizar o sonho de ser pai, mas conseguiu e não poderia estar mais feliz. Ele e a mulher, Monica, 45, passaram por seis inseminações artificiais que não deram resultado antes de partir para a adoção.

“Após oito anos de casados e muitas tentativas, os filhos não vinham. Então, entramos na fila da adoção e esperamos por quatro anos até chegar a nossa vez”, conta.

Depois disso, por causa da burocracia que envolve o processo, o casal ainda precisou aguardar dois anos para que a adoção se concretizasse. “Conseguir a guarda das duas irmãs, então com dois e três anos, até que foi rápido. Elas vieram para a nossa casa em maio de 2013, mas a adoção saiu somente em junho deste ano”, diz.

Segundo Cruz, a idade avançada não foi empecilho para concretizar os planos do casal. “Nesse caso, a lei faz recomendações, mais do que proibições, o que é o correto. A equipe do juizado faz a avaliações e o juiz decide. Idoso com ótimas condições de saúde, vida saudável e projeto de vida é mais interessante do que jovens adotantes sem qualidade de vida. O fato de o cônjuge ser mais novo ajuda muito também.”

Laisa e Ana Alice, chamadas carinhosamente pelos pais de Lalá e Lili, não tiveram dificuldades de se habituar a nova casa. “A adaptação das meninas foi total e imediata. Elas são muito carentes, querem dar certo na vida e ter uma família.”

E por falar em família, os parentes de Amadeu e Monica adoraram a novidade de ter as crianças por perto e fazem até disputa para ver quem atende melhor e mais rápido às demandas das meninas.

O professor conta que, no começo, a filha mais velha ficou preocupada que, por causa de sua idade, o pai pudesse morrer em breve. “Expliquei que, na verdade, pode-se morrer em qualquer idade.”

Segundo ele, ter 65 anos não interfere em nada nas atividades feitas em conjunto com as crianças. “Fazemos as tarefas da escola, lemos histórias, vemos filmes, passeamos, jogamos, fazemos refeições, viajamos, tudo isso juntos”.

Fora de casa, entretanto, o preconceito é uma constante. “Na escola, os colegas das minhas filhas perguntam frequentemente se sou mesmo pai ou avô. Dou risada, mas elas ficam bravas. Já os flanelinhas, para serem gentis falam: ‘aí, vovô, passeando com as netinhas?’, as meninas se irritam e tentam explicar que sou o pai. Isso é inevitável pelos meus cabelos e barba brancos. Não me incomoda.”

Em sua opinião, a idade não deve ser empecilho à adoção, embora deva ser levada em consideração. “A criança precisa de segurança e proteção. A família extensa pode participar e garantir o conforto da criança. Adotar é uma forma de rejuvenescimento.”

Maravilhado com a mudança positiva que a presença das filhas trouxe à sua vida, o psicólogo diz que recomenda a adoção para todo mundo e espera que a prática seja mais desburocratizada no futuro. “No primeiro mês, perdi três quilos de tanto carregá-las no colo. Minhas refeições ficaram mais saudáveis, movimento-me muito mais e tenho alegrias todos os dias.”

A adoção também uniu o casal. “Nossos projetos de vida foram atualizados.” Outra mudança foi o surgimento de uma preocupação maior com a vida e com a sociedade. “Tenho muito mais cuidado --em função de minhas filhas-- em escolher políticos não demagogos para votar, afinal, estou escolhendo o futuro delas.”

 

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