Infância

Com orientação, crianças podem mexer em eletrodomésticos, saiba protegê-las

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Na cozinha, é preciso ter cuidado com torradeiras, fornos elétricos e aparelhos tipo grill para evitar choques e queimaduras imagem: Getty Images

Beatriz Vichessi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Lidar com eletricidade exige cuidado, ainda mais quando há crianças em casa. Em 2015, segundo dados da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade), 32 crianças entre zero e cinco anos sofreram choques elétricos fatais no Brasil. O número foi maior do que no ano anterior, quando o total de vítimas foi 20. Em alguns casos, os acidentes aconteceram na rua, por fio partido ou contato com postes. Mas a maioria das ocorrências foi em casa, causadas pela fuga de corrente dos aparelhos.

Segundo Hilton Moreno, engenheiro eletricista e consultor do Programa Casa Segura do Instituto Procobre, o aumento de acidentes dessa natureza está ligado ao uso mais intenso de equipamentos eletrônicos por crianças. Elas têm celular desde cedo e utilizam tablets e computadores com frequência. A utilização constante de chapinha e secadores de cabelo também é comum entre elas.

“Da mesma forma que aumenta o manuseio, inclusive por crianças desacompanhadas, aumenta a exposição a acidentes, como pequenos choques ao tirar ou conectar o aparelho na tomada ou, em situações mais extremas, queimaduras”, diz Moreno.

Liberados para maiores de oito anos

Apesar dos dados preocupantes, a recomendação aos pais é não alarmar os filhos, mas, sim, orientá-los sobre como manusear aparelhos elétricos com cuidado.

Maria Inês Nantes, pediatra do Hospital São Luiz, em São Paulo, explica que, entre dois e sete anos, a vontade de explorar o mundo é enorme ao mesmo tempo que aceitar conselhos dos adultos não é tão interessante. “Nessa fase, falta noção de perigo às crianças. Por isso, o olhar atento é necessário. Já as mais velhas, com mais de sete anos, já começam a entender melhor se estão correndo riscos e percebem que seus atos podem trazer consequências negativas”. Sendo assim, a partir dos oito anos já é possível permitir que manipulem aparelhos elétricos sem supervisão, desde que a orientação sobre como fazê-lo seja adequada e completa.

Para pais de crianças pequenas, Moreno destaca a importância de protegê-las, fechando todas as tomadas da casa com protetor apropriado e deixando os aparelhos e os fios sempre longe do alcance delas, para evitar que queiram puxá-los e os objetos caiam sobre elas. E alerta: evite usar os modelos de tampões para tomada coloridos ou com figuras de animais, pois eles chamam a atenção das crianças que, por sua vez, acabam querendo brincar com as peças. O especialista também explica que é essencial sempre cuidar para não deixar brinquedos perto das tomadas.

Marcelo Puertas, diretor de segurança da AES Eletropaulo, fala que, para quem vai reformar a casa, a dica é instalar tomadas a mais de 90 centímetros do chão, dificultando, assim, o acesso a elas por bebês e crianças pequenas, e pedir para o eletricista instalar um dispositivo chamado DR, uma espécie de disjuntor que desliga a energia da residência assim que alguém leva um choque.

Para proteger quem já é autorizado a mexer em aparelhos elétricos, repita a máxima “água e eletricidade não combinam” exaustivamente, na tentativa de evitar choques que podem ser fatais. Na prática, o alerta significa que, por exemplo, chapinha não deve ser usada no banheiro e sim em ambientes secos, como o quarto, e que é perigoso mudar a posição da estação do chuveiro elétrico quando o registro de água estiver aberto.

Outro hábito que precisa ser coibido é falar ao celular enquanto a bateria do aparelho está sendo recarregada. “Dentro do aparelho existe um mecanismo para impedir que ele transmita eletricidade, mas se ele estiver quebrado e o defeito não for aparente, pode ser arriscado”, diz Moreno.

Na cozinha, explique aos filhos que é preciso ter muito cuidado com torradeiras, fornos elétricos e aparelhos do tipo grill: para retirar o alimento de dentro deles, nada de usar talheres enquanto estiverem ligados, pois o metal é condutor de energia; também é preciso tomar cuidado para não queimar as mãos. Por isso, ensine às crianças usar luvas apropriadas para retirar a comida e solicitar ajuda de adultos sempre que necessário.

Em casos de acidentes envolvendo crianças e eletricidade, a pediatra Maria Inês recomenda telefonar para o pronto-socorro e para os bombeiros imediatamente. Se possível, é importante desligar a chave geral do local ou remover o fio ou a vítima com ajuda de um material não condutor, como madeira, cabo de vassoura ou cano plástico. É preciso, ainda, desabotoar as roupas da vítima e ficar atento aos sinais vitais, mesmo que ela tenha recuperado a pulsação e a respiração.

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