Gestação

Pais e mães viúvos contam como recomeçaram a vida após o luto

Cristiano Borges/UOL
Cridimar da Silva Fiuza, 29, ficou viúvo quando o filho, João Carlos tinha dois anos imagem: Cristiano Borges/UOL

Do UOL, em São Paulo

Perder o companheiro é sempre doloroso, mas, quando há filhos da união, quem fica tem de elaborar o luto ao mesmo tempo que cuida da família. Veja a seguir quatro histórias.

Cridimar da Silva Fiuza, 29, pai de João, 6

“Meu filho tinha dois anos quando a mãe morreu. Depois disso, precisei readequar toda a minha rotina. Passei a morar só eu e ele por um tempo, mas todos os dias deixava-o na minha mãe pela manhã, para poder trabalhar. Voltava para buscá-lo no fim do dia. Foi um período difícil, de tristeza e readaptação. Em casa, não havia ninguém para dividir, era apenas eu. Logo após a morte da minha mulher, ele perguntava o tempo todo se eu não arrumaria outra mãe para ele. Três anos depois, eu me casei novamente. Meu filho se dá muito bem com a minha atual mulher, mas se apegou demais à avó e quis morar com ela. Pego ele todas as sextas e devolvo para a minha mãe aos domingos. Também viajamos muito juntos.” 

Adriana Munhoz, 46, mãe de Aryel, 21 e Pedro, 16

“Fiquei viúva em 2000, quando eu e meu marido completávamos 11 anos juntos. Nossa filha tinha cinco anos e nosso filho, apenas três meses. Meu marido foi assassinado falando ao telefone comigo. Na hora, ouvi o disparo, mas achei que a ligação tinha ficado ruim e caído. Então, vieram até a minha casa me avisar. Não consegui contar para a minha filha no dia, disse que o pai tinha ido viajar. Um mês depois, ela me falou: ‘Mãe não chora, eu sei que o meu pai morreu, mas ele fica triste quando você chora’. Depois disso, fiquei me sentindo uma egoísta por não reagir. Eu me uni ainda mais com a família do meu marido. Meus cunhados fizeram a figura do pai e ajudaram em tudo: com dinheiro, roupa, escola, lazer. Foram eles que contaram, aos poucos, a história para o meu filho mais novo. Quando eles eram crianças, no Dia dos Pais da escola, sempre levava meu pai e o tio deles, o mesmo que estava sempre presente nas reuniões e que levava os meus filhos ao médico, quando necessário. Até hoje, meus filhos não fazem nada que os tios não autorizem. Minha menina foi a que mais sentiu a morte do pai, chegou a ficar agressiva por um tempo. Eu já namorei, mas nunca mais coloquei outra pessoa dentro de casa.” 

Kelly Macedo dos Santos, 36, mãe de Mirella, 20

“Meu marido morreu em um acidente de moto, quando estávamos no terceiro ano de casamento. Tinha 20 anos e ele, 21. Minha filha estava com três anos. Na época, entrei em depressão e precisei procurar um emprego, para sustentar a Mirella. Minha mãe e meus irmãos foram as pessoas que mais me ajudaram. Até os seis anos, minha filha fez sessões com um psicólogo, que a ajudou a lidar com o luto. Isso porque ela se tornou uma criança muito triste quando tudo ocorreu, sofreu demais e só chorava. Como mãe de menina, tive muito medo de me envolver com outro homem, optei por ficar sozinha desde então. E já faz 17 anos que tento reconstruir minha vida, dia após dia.” 

Maria Aparecida dos Santos, 51, mãe de Juliana, 27, e Melissa, 23

“Fui casada durante 23 anos com o meu primeiro namorado, o amor da minha vida. No primeiro ano de casamento, tivemos nossa primeira filha, Juliana. Quatro anos depois, nasceu a segunda, Melissa. Meu marido sempre incentivava as meninas a estudarem, para que tivessem um futuro melhor que o dele, que era garçom. Em 2010, estávamos em uma casa nova e confortável. A mais velha estudava direito e a mais nova havia terminado o ensino médio. Eu também tinha concluído a minha faculdade --iniciada aos 40 anos, com uma bolsa do Prouni [Programa Universidade para Todos, do governo federal]. Era 26 de julho de 2010 quando meu sobrinho me perguntou se eu tinha os documentos do Juarez em casa. Fui ao trabalho dele levar, pensando que seria para algum serviço. Soube, então, que o meu marido tinha passado mal no trabalho e que tinha sido levado ao hospital, onde faleceu vítima de um infarto, em poucos minutos. Ele tinha 45 anos e estava saudável. Foi muito difícil dar a notícia para as meninas e recomeçar sem ele. Estava desempregada e logo precisei arrumar um trabalho. Também precisei ter muita força interior para continuar cuidando delas e estimulando-as a terminar os estudos. Hoje, todas trabalhamos e somos uma família ainda mais unida. Dedicamos a ele cada conquista, porque ele fez parte do início de tudo.” 

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