Infância

Na Eslovênia, pais deixam carrinho com bebê do lado de fora de lojas

Beatriz Vichessi

Colaboração para o UOL

Muitos brasileiros ao criarem filhos em outros países se deparam com hábitos e costumes muitos diferentes dos praticados aqui. A seguir, quatro mães relatam o que mais chamou a atenção delas ao adotarem outra nação como lar da família.

Mãe de Oto, 1 ano e 8 meses, Fernanda Prado Verčič, 36, mora há cinco anos em Kranj, Eslovênia

Arquivo Pessoal
imagem: Arquivo Pessoal

“É comum deixar o carrinho com o bebê dentro estacionado na calçada e entrar em uma loja, deixando a criança do lado de fora, ainda mais se o estabelecimento não tiver rampa. A segurança é tanta que também se deixa carrinho estacionado fora de casa, à noite, sem o bebê, é claro. Outra coisa que certamente vai causar estranhamento para muitas famílias no Brasil é que berço, colchão, brinquedo, sapatos e outros itens de enxoval são doados ou emprestados por outras famílias. Mesmo entre pessoas que não se conhecem muito, o hábito é comum. É raro alguém comprar alguma coisa, somente se falta algo necessário. Também é interessante ver como se comemoram os aniversários aqui. É tudo muito simples, a festa é só para os mais próximos, 15 amigos, no máximo. Não existem bufês, ostentação com decoração e cardápio, nada disso. O evento ocorre no jardim da casa, se for primavera ou verão. No inverno, a comemoração acontece em casa com um bolo simples, em um café ou em um parquinho fechado. Há ainda a possibilidade de a família esperar para comemorar a data quando a temperatura subir e for possível fazer a festa em um ambiente externo.”

Mãe de Marina Lefundes, 13, Patricia Castro Lefundes, 42, mora há quatro anos e meio em Jeonju, na Coreia do Sul

Arquivo Pessoal
imagem: Arquivo Pessoal

“A educação é levada muito a sério no país. Desde pequenas, as crianças são matriculadas em muitos cursos extracurriculares, que frequentam depois da escola regular. Geralmente, elas fazem aulas de música, de idiomas e de reforço escolar. Não raro, as mães competem para que o filho faça mais atividades do que os colegas. Com tantos cursos para fazer, muitas crianças voltam para casa só tarde da noite. Na juventude, o preparo para o vestibular é o foco, e o dia da prova é tão importante que o país para. O comércio até abre mais tarde para não haver trânsito, que impeça os estudantes de chegarem aos locais de exame. A polícia fica de sobreaviso: caso encontre algum vestibulando atrasado na rua, pode levá-lo de moto para que ele não perca a prova. Outro costume curioso é que, desde muito pequenas, as crianças comem comida apimentada, característica da culinária local.”

Mãe de Siena, 3, Paula Stait, 35, mora há cinco anos e meio em Cingapura

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imagem: Arquivo Pessoal

“Cingapura sofre influência de uma mistura de culturas de outros países, como China, Malásia, Indonésia e Índia. Isso é preciso ser considerado para entender determinados hábitos das famílias cingapurianas. Quando nascem, as crianças não são levadas para fora de casa por um mês inteiro e não recebem visitas. A mãe também fica de resguardo e algumas chegam a não tomar banho durante esse tempo ou tomam, mas não lavam o cabelo. Uma enfermeira é contratada para praticamente morar com a família e cuidar da mulher e da criança, inclusive à noite, se assim for combinado. As famílias de origem chinesa que estão aqui raspam a cabeça do filho quando ele completa um ano, seja menino ou menina. A tradição manda guardar o cabelo amarrado em uma fita vermelha. Dizem que é para fortalecer o cabelo da criança. Algumas famílias colocam esse bolinho de cabelo embaixo do travesseiro do bebê para ele dormir melhor. Entre os indianos, que também fazem esse ritual, a raspagem é feita antes do almoço ou do jantar. Entre as crianças maiores, já em idade escolar, é muito comum que elas tenham aulas particulares nos fins de semana para estudar mais chinês, matemática e outras disciplinas. É um tipo de reforço, mesmo que estejam se saindo bem nas aulas. O objetivo dos pais é que o filho seja o melhor da escola. Caso a criança pratique algum esporte, ela tem aulas particulares também para se aperfeiçoar.”

Mãe de Maria Clara, 11, e Maria Eduarda, 13, Fernanda Chede, 39, mora há um ano em Drogheda, na Irlanda

Arquivo Pessoal
imagem: Arquivo Pessoal

“As crianças se tornam independentes bem cedo na Irlanda. A maioria vai a pé para a escola, mesmo quem tem somente quatro ou cinco anos. Elas vão sempre em turmas grandes. Uma pessoa contratada pelo colégio é responsável por ajudar a turma atravessar a rua. Mesmo chovendo, nevando ou muito frio, as crianças fazem isso. Quem mora longe tem condução gratuita, bancada pelo governo. Ao mesmo tempo, as crianças são tratadas como tal por mais tempo no país. Aos 11 anos, por exemplo, brincam na rua, fazem presentes para o dia dos pais e das mães na escola. O café da manhã é a principal refeição das crianças na Irlanda. Isso porque durante o período da manhã, elas comem na escola, em dois intervalos, mas só fazem outra refeição completa quando voltam para casa, por volta das três e meia da tarde, considerada o almoço e o jantar juntos. Mais um hábito dos irlandeses que é bem diferente do que estamos acostumados no Brasil: eles não tomam banho todos os dias, normalmente, é um dia sim, outro não.”

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