Pós-parto

Quarentena pós-parto não é lenda e colabora para o bem-estar da mulher

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Corpo da mulher precisa de um tempo para voltar a ser como era antes da gestação imagem: Getty Images

Beatriz Vichessi

Colaboração para o UOL

Tenha sido o parto normal ou cesárea, o corpo da mulher precisa de um tempo para que suas funções fisiológicas voltem a ser como eram antes da gestação.

“Para ter uma ideia, o útero, antes de uma gestação, tem em média 50 gramas. Logo após o parto, chega a ter cerca de um quilo”, fala Alberto Jorge Guimarães, gerente médico do Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim), em São Paulo.

Quarenta dias –daí o nome quarentena-- é o tempo máximo exigido para esse descanso. O intervalo pode ser um pouco mais curto ou mais extenso, a depender de como foi o pré-natal, o parto e de como a mulher se sente com o passar dos dias.

Essa fase não exige grandes esforços nem que a mulher deixe de fazer coisas cotidianas, como lavar o cabelo, tal como se pensava no passado. A seguir, 13 informações importantes sobre a quarentena:

1 – É indicado não ingerir alimentos famosos por causar excitação, como café, chocolate e refrigerante, pois eles podem provocar cólica no bebê. Ainda é melhor evitar comer alimentos gordurosos e excesso de lactose, que também contribuem com o problema.

2 – Alimentação leve e nutritiva colabora com a recuperação da energia perdida no parto, nos primeiros dias com o bebê em casa e também com a perda do peso ganho durante a gravidez. Por conta disso é que a canja de galinha é um prato recomendado no período, por ser rico em carboidratos e proteína.

3 – A mulher não deve manter relações sexuais em que seja penetrada. Se tiver passado por uma cesárea, o intervalo é de 30 dias. O mesmo vale se o parto tiver sido normal sem laceração. No caso de laceração, é preciso avaliação do médico. Embora não exista risco de gravidez enquanto a mulher não ovular e menstruar pela primeira vez depois que o bebê nascer, manter relações não é indicado por questões relacionadas à recuperação do físico.

Assim que o médico liberar a retomada da vida sexual, é indicado usar lubrificante à base d’água nas primeiras relações sexuais para que a mulher não sinta dor e fique mais à vontade.

O parceiro precisa ter muita paciência: além de poder sentir algum desconforto durante a penetração por causa da baixa lubrificação na área, é bem provável que a libido da mãe esteja bem baixa, já que o hormônio estrogênio está em baixa quantidade no corpo, porque está sendo inibido graças à ação da prolactina, responsável pela amamentação.

4 – É possível e desejável fazer atividade física, retomando a prática ou começando com sutileza 30 dias após o nascimento da criança, desde que haja consentimento médico. O especialista vai avaliar a cicatriz da cesárea ou a condição do períneo, caso tenha ocorrido laceração, e a disposição da mulher. A preferência deve ser dada a exercícios de baixo impacto --como natação, hidroginástica e caminhada--, nada de investir em abdominais nessa fase. É importante ainda frisar que o objetivo da mulher não deve ser, em hipótese alguma, perder peso com a prática física. O foco deve estar na manutenção do bem-estar físico e emocional, ganhando assim algum tempo para ela ficar a sós consigo mesma, relaxar, espairecer, falar sobre outros assuntos que não a maternidade e se divertir.

5 – Se a gestação tiver sido tranquila e o parto também, é possível voltar a dirigir depois de 20 dias de o bebê ter nascido. O médico avalia se o corte da cesárea ou a laceração do parto normal está cicatrizando bem, entre outras coisas, e libera a paciente para guiar normalmente.

6 – Águas e outros líquidos com grande poder de hidratação (água de coco, isotônico, chás e sucos naturais) devem ser consumidos bastante para turbinar o período inicial da amamentação. Quanto mais o bebê puder mamar, melhor vai dormir. E consequentemente a mulher também terá tempo para repousar e se recuperar.

7 – É preciso ficar de olho nas emoções porque é na quarentena a maior chance de a mulher apresentar depressão pós-parto. Uma das dicas dos médicos é ser resiliente consigo mesma e entender, no caso das mães de primeira viagem, que tudo é muito novo e a mulher está em ritmo de aprendizagem, errar fazer parte, tal como demorar para cumprir as tarefas, e se atrapalhar com coisas aparentemente simples, por exemplo, dar banho no filho. 

8 – Não usar medicamentos contraindicados para o período da amamentação. Os obstetras costumam listar o que a puérpera pode tomar no caso de dor de cabeça e outros problemas corriqueiros. Caso ela sinta dores, coceira ou febre na região do corte da cesárea ou vaginal, é preciso consultar o médico rapidamente. 

9 – Gastar o mínimo de energia possível --física e mental-- é muito indicado pelos médicos. Em geral, a mulher deve se ocupar dos cuidados com o filho e com passar os dias sem se expor a grandes emoções e esforços. Isso significa dormir, sempre que possível. 

10 – Está liberado tomar banho e lavar o cabelo logo após o parto e nos demais dias da quarentena, se assim a mulher desejar. A recomendação feita por alguns povos e pessoas idosas de se privar desses hábitos de higiene tão rotineiros não tem fundamento científico.

11 – É interessante evitar pegar peso o máximo de tempo possível para não forçar o corte da cesárea nem o curativo da região do períneo, caso tenha havido laceração.

12 – Não usar absorventes internos para conter o sangramento pós-parto. Não se trata de uma proibição e sim de uma indicação inteligente já que os modelos maiores, como os geriátricos, costumam ser mais eficientes para absorver o fluxo. No mais, no caso de quem teve parto normal, a dica tem como foco manter a região vaginal, que já foi tão exigida, preservada.

13 – É perfeitamente possível sair de casa para passear. Tanto mãe quanto o filho não só podem como devem, se a mulher se sentir à vontade, respirar novos ares.

Consultoria: Alberto Jorge Guimarães, gerente médico do Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim); Luiz Fernando Leite, obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, e Eduardo Zlotnik, ginecologista do Hospital Israelita Albert Einstein, todos em São Paulo.
 

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