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09/10/2008 - 19h37

Estilo francês ganha influência de outras culturas nas ruas e nas roupas

Antonio Barros/UOL

Convidada de desfile em Paris, em feveiro deste ano, nos Jardins de Tulieries

Convidada de desfile em Paris, em feveiro deste ano, nos Jardins de Tulieries

Paris está mais colorida, o outono se revela no vermelho das folhas das bordas do Sena. Paris também está mais colorida nos rostos das pessoas nas ruas: está cada dia mais mestiça. Nos passeios pelos bulevares pode-se ver casais de diversas etnias, franceses das antigas colônias que hoje se misturam, harmonicamente, nas ruas de Paris. Com essa integração, podemos perceber que alguns hábitos estão mudando e os gestos e a voz dos franceses estão mais amplos e expressivos.

Na moda esta mistura também é percebida e, na silhueta predominante das francezinhas "branchées"(antenadas, descoladas) vê-se forte influência dos trajes árabes: calças ajustadas (skinny ou leggings) com túnicas retas ou vestidinhos nada volumosos, soltos sobre o corpo.

Nas lojas, as diferentes culturas também podem ser observadas. Antiguidades indianas, novas interpretações para túnicas ou quimonos, lojas de artigos da Mongólia e Paquistão, a japonesa MUJI, que oferece mais do que produtos, oferece "estilo de vida", influenciado pelo design finlandês.

O estilo dos bairros franceses

Com tantas influências vindas de outros povos, surge a necessidade de reencontrar as origens. E os gauleses reagem à globalização valorizando suas tradições. Um sinal disso é o "Petit Bal" (ou pequeno baile), que acontece numa pracinha da rua Mouftard, com direito a fonte de água, feira de rua, acordeão e danças tradicionais. Nos moldes dos bailes populares de outrora, um grupo de amantes da canção tradicional francesa se encontra todo domingo para cantar, dançar e relembrar personagens como Edith Piaf ou Charles Trenet. As letras das músicas são distribuídas ao público, que pode acompanhar os cantores "oficiais" em canções como "Padam, Padam", "Que reste til de nos amours" ou a inevitável "Je ne regrette rien", que faz todo mundo chorar.

O Marais, bairro tradicionalmente de imigrantes, está mais francês e sofisticado, sofreu uma tremenda "fashionalização". Está muito chique, com lojas caras e de ponta e marcas como Issey Miyake, multimarcas com grifes como Karl Lagerfeld e Chloé. A Place des Vosges, que sempre foi chique, por sinal, reúne uma galera jovem, moderna e bem vestida, que finge não estar nem aí pra roupa. Garotas vestem xales com aspecto de cobertor, só que chiquérrimos, com calças skinny e botas, cabelos de dredlocks, muitas jóias em todos os dedos das mãos, em forte influência étnica, mas de procedência certeira de "boas" marcas. Além das conhecidas calças skinny, vêem-se algumas saias e calças saruel e aqui e ali uma calça em estilo Aladim.

Nas ruas da Rive Gauche, St. Michel, St. Germain, Odéon, os jovens não parecem muito interessados em uma moda muito produzida. No final de setembro ainda não estava muito frio e ainda se viam vestidinhos românticos, folclóricos, inocentes e de inspiração infantil, sempre com jaqueta de couro, que pode ser um perfecto estilizado ou no estilo bomber, com punhos de tricô, marrom ou preta.

Botas e sapatilhas

Na Europa parece que as cores secundárias duram mais quando estão na moda. O roxo as tonalidades de lilás acinzentados ainda estão muito fortes, combinadas às cores de berinjela, os rosas, os cinzas, o azul profundo e o laranja escuro e vibrante. As cores fluo também dão o ar da graça, principalmente em acessórios.

As botas imperam, de todas as alturas, sendo que as que vão até o joelho são as preferidas, no estilo equitação, retas. Os coturnos longos punks e as botinas de amarrar em estilo século XIX, também são vistas.

As sapatilhas são outra mania: foram eleitas as preferidas pelas francesas e existem em quantidades industriais nas lojas e pelas ruas. De todas as cores, também traduzem influência étnica, da Índia. Vêm com lacinhos, lantejoulas e são usadas com vestidinhos estilo baby doll e leggins. Detalhes como nervurinhas e babadinhos infantis ainda estão sendo usados.

As carteiras médias e coloridas de python (a cobra) são carregadas na mão e as meia lua, bem lisas, sem enfeites e de couro escuro natural, são usadas à bandoleira (cruzadas) nas costas.

A bela e a fera

Se a mulher mais comentada na França é Carla Bruni, a elegante primeira-dama, o ídolo masculino por aqui é Sebastien Chabal, também conhecido como Terminator. O herói do rúgbi francês está em vários outdoors anunciando um perfume mesculino. Outros ídolos que influenciam a moda masculina são os rappers, franceses ou americanos, então as calças largas, os bonés, os tênis e as marcas esportivas também são vistos por aqui. No masculino mais formal vê-se um certo abandono das gravatas, que não são dispensadas, porém, pelos playboys de bares da moda.

Colaborou nesta coluna Marina Pappalardo.

Mariana Rocha é consultora de moda, formada e pós-graduada pela Faculdade Santa Marcelina, onde é professora e pesquisadora de moda

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