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05/06/2007 - 17h19

Adriana Varejão leva seus azulejos para a moda praia

VITOR ANGELO
Colaboração para o UOL

Ana Ottoni/Folha Imagem

Artista plástica Adriana Varejão une trabalho de azulejos à coleção praia de Lenny

Artista plástica Adriana Varejão une trabalho de azulejos à coleção praia de Lenny

Os drapeados e torções, que sempre deram um ar grego e chique à moda praia de Lenny Niemeyer, ganham um elemento português no melhor estilo 'artsy': os azulejos trabalhados que vieram como referência ao trabalho da artista plástica Adriana Varejão. A estilista apresenta sua coleção para o verão 2007/08 nesta quarta-feira (6), às 20h, no Fashion Rio.

Os azulejos, signo forte da obra de Varejão, integrarão os requintados e bem acabados maiôs da estilista que, em alguns momentos, aparecerão como aplicações nas peças. Eles foram quebrados, afinados e polidos, e com certeza chamarão a atenção de quem se interessa pelo diálogo entre arte e moda.

A relação entre Adriana Varejão e Lenny Niemeyer, além da amizade, é a profunda pesquisa que ambas realizam em suas respectivas áreas, nas questões históricas e geométricas da forma. "Acho que ela usou meu trabalho como inspiração, como ponto de partida para a coleção. Mas uma coisa é meu trabalho e outra é a azulejaria. Meu trabalho não é sobre azulejos, mas sobre História, geometria etc", explica Varejão em entrevista ao UOL Estilo.

Varejão está feliz por participar de alguma maneira do trabalho da amiga. "Não manufaturei os azulejos, mas ela foi ao meu ateliê, conversamos e trocamos referências", diz. Infelizmente, a artista não conseguirá ver o trabalho da estilista ao vivo. "Ainda não vi a coleção, pois não estou no Rio. Mas vou tentar ver o desfile pela TV", afirma.

Para todos os que freqüentam o seleto mundo das artes, a figura de cabelos encaracolados, beleza solar e aparência sempre discreta de Adriana Varejão não passa despercebida. Apesar de ser um dos grandes nomes da arte contemporânea brasileira hoje, ela não é uma artista midiática, não se expõe em tudo quanto é jornal, nem gosta de entrar em polêmicas.

Azulejo em carne viva

Adriana Varejão nasceu em 1964, no Rio de Janeiro, cidade em que reside. Lá, freqüentou, na década de 80, os cursos livres da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Já expôs na Bienal de São Paulo, no MoMa em Nova York, na Fundação Cartier em Paris e na Tate Modern em Londres, que comprou sua obra "Azulejo Verde em Carne Viva" por cerca de US$ 40 mil.

Ela ganhou notoriedade quando seu olhar focou o passado da história da arte, trabalhando com os azulejos portugueses e o nosso barroco para construir uma obra cheia de carnalidade e espírito crítico.

A miscigenação de técnicas e o trânsito sobre cada uma delas, resultando uma terceira idéia sempre de maneira crítica, é um centro nerval de seu trabalho. Nas obras mais recentes, tem explorado imagens fotográficas trabalhadas em softwares de arquitetura.
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