Moda

Setor de relojoaria suíço se prepara para um ano negro

ZURIQUE, Suíça, 26 Mar 2009 (AFP) - A indústria de luxo e de relojoaria suíça está se preparando para um ano negro, diante de uma recessão mundial que pode, inclusive, fechar as portas de pequenos atores deste cenário, afirmaram especialistas, por ocasião da inauguração, na quinta-feira, de Baselworld, o maior salão mundial do setor.

De fato, o mundo da relojoaria está fazendo cara feia. Atingida em cheio pela crise econômica, a Suíça, número um mundial do setor, viu suas exportações do ramo de relógios cair 22,4% em fevereiro após vários anos de alta desenfreada.

A lista das empresas atingidas pelo recuo das encomendas não para de aumentar. Os relojoeiros suíços HGT, Raymond Weil, Roger Dubuis, Corum, Girard-Perregaux, Rolex e as fábricas suíças do francês Cartier anunciaram medidas de corte de empregos ou de redução do tempo de trabalho.

No coração da indústria de relógios suíça, na região montanhasa do Jura, aproximadamente 1.000 empregos foram eliminados, segundo o jornal Le Temps.

Os dois gigantes do setor não parecem estar melhor. Richemont registrou no terceiro trimestre de seu exercício defasado 2008/2009 (outubro a dezembro) um faturamento em baixa de 12%, a 1,55 bilhão de euros, enquanto seu concorrente Swatch estagnou praticamente suas vendas (+0,5%), a 5,7 bilhões de francos suíços (3,7 bilhões de euros).

As exportações de relógios suíços devem ainda recuar de 15% a 20% no primeiro semestre, disse o analista René Weber, do banco Vontobel, que espera para o acumulado do ano uma baixa de 12%.

"Swatch e Richemont vão certamente se aproveitar da situação, os dois grupos não estão endividados e dispõem de liquidez suficientes", destacou.

"Em tempos de crise, e enquanto os distribuidores esvaziam seus estoques, as marcas que se beneficiam de sua notoriedade e de uma história são privilegiadas, em detrimento dos novos atores", analisou Weber.

Os pequenos relojoeiros serão rapidamente confrontados a problemas de liquidez, sem os fundos necessários para resistir à crise, afirmou o presidente da Federação dos relojoeiros suíços, Jean-Daniel Pasche. "É possível que algumas marcas parem", continuou.

"O restabelecimento não deve ocorrer este ano, eventualmente ano que vem, se os mercados reganharem confiança", disse o analista Patrick Hasenböhler, do banco Sarasin.

Os organizadores de Baselworld se disseram extremamente prudentes. "2009 se anuncia um ano um tanto nebuloso para as categorias de luxo", anunciaram em um comunicado.

O salão, que serve de vitrine para a profissão, mas também de lugar para encomendas, deve acolher muito menos visitantes este anos, prova de uma maior contenção dos clientes, segundo Hasenböhler.

O segmento dos produtos de alto luxo deve, no entanto, se salvar.

"Os produtos de altíssimo luxo devem resistir melhor, foi o que mais cresceu nos últimos anos", constatou Pasche. "Os mais populares também devem sobreviver, mais entre os dois, será realmente difícil", acrescentou.

Baselworld abre suas portas quinta-feira em Basileia, por sete dias, com quase 2.000 expositores de 45 países e 3.000 jornalistas esperados.
Topo