Moda

Galliano traz de volta as raízes da Maison Christian Dior

PARIS, França, 6 Jul 2009 (AFP) - John Galliano homenageou nesta segunda-feira o fundador da Christian Dior em seu desfile de alta-costura para a próxima temporada outono-inverno, concebido como "um retorno às raízes".

De início, em meio ao som de risos de jovens que brincam, surgem as modelos, algumas ainda não totalmente vestidas, como se saíssem precipitadamente de uma cabine de provas: a Dior renunciou desta vez a seus habituais desfiles espetaculares para apresentar a coleção nos salões da própria Casa.

Mas essa não foi uma manobra para economizar, assegurou o presidente da Christian Dior Couture, Sydney Toledano, e sim para testemunhar um "retorno às raízes da alta-costura".

A coleção tem grande destaque para a célebre alfaiataria de feitio da marca, com saias amplas no estilo New Look lançado por Dior e bordados refinados. "É a história da Dior", declarou Toledano.

"Trata-se de "recuperar este ambiente de alta-costura", uma alta-costura que "deve voltar às suas raízes e a seus valores", acrescentou. No contexto atual da crise econômica, que não alivia o setor de luxo, "temos que falar de Dior, da marca, de sua experiência", acrescentou o presidente da Casa.

A coleção é uma demonstração da excelência do trabalho dos ateliês da Mison Dior e defende uma elegância total, a qual o "enfant terrible" John Galliano acrescenta um toque sexy: suas modelos "esquecem" algumas peças, como a blusa ou a saia para deixar à mostra um corpete, um sutiã, uma cinta-liga ou uma sofisticada meia-calça.

Uma jaqueta fúcsia bordada é combinada com cinta-liga, sapatos e um chapéu. Um paletó violeta é usado somente com meia-calça.

John Galliano brinca com a roupa interior-exterior, propondo corpetes pretos ou d cor de carne, algumas vezes sobre o vestido, além de combinações com bordados que caem da saia e anáguas de tule bordado. A transparência de um vestido preto de busto bordado com flores violetas deixa adivinhar uma cinta-liga, a musselina de um vestido branco dissimula apenas um corpete.

Tudo muito Dior, de mulheres de cintura finíssima e quadris largos em saias amplas, e ao mesmo tempo tudo muito Galliano, com maquiagem forte, lábios vermelhos marcantes, e sutiãs à mostra.

A elegância é muito mais recatada na coleção de Stéphane Rolland, que propôs vestidos-túnicas e de modelagem ampla com ombros marcados em tonalidades suaves de preto, branco, cinza-perolado e bege. As roupas são adornadas com estampas geométricas em alto relevo e aplicações de cachemira formando mosaicos.

A paleta de cinzas forma ondas em vestidos curtos, com decotes comportados. Pregas e amplas mangas transparentes trazem suavidade à coleção.

O estilista diz ter se inspirado no "trabalho das curvas, no movimento e na distorsão" do escultor Richard Serra, escultor americano minimalista, e do arquiteto Karim Rashid, famoso pelos móveis modernos, que trabalha muitas vezes com o plástico.

A coleção de Rolland trabalha com o "jogo de volumes e de luz", com bordados em um só tom de cachemira. "Queria uma coleção suave e sutil", declarou o estilista.

Alexis Mabille, ainda estreante nas passarelas, seduz com looks para jovens graciosas: delicados vestidos em tons de rosa ou azul-celeste, transparências, bordados, adornos de renda guipur e chantilly, plumas de avestruz e um chique vestido formado por dois quadrados de tela misturados. Ainda que o inverno seja frio, a leveza se impõe na alta-costura parisiense.
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