Moda

Armani em veludo e italianos com inspiração militar

Os desfiles deste sábado na Semana de Moda de Milão mostraram a maestria do luxo italiano, com a elegância em veludo nos looks de Giorgio Armani, enquanto outras marcas se inspiravam no uniforme militar, suas capas, dragonas e botões dourados.

Após a agitação com a presença do ator britânico Clive Owen na primeira fila, o desfile da Armani, de uma fluidez impressionante, abusou do veludo e da seda de cores vivas em looks chiques e confortáveis, com saias rodadas e modelagens rigorosas.

O veludo aparece em casacos, combinados com leves saias curtas de seda, ou nas próprias saias, e poucas vezes em calças pantalona. O tecido aparece também nos chapéus com tiras que escondiam o rosto das modelos. A maquiagem minimalista, com peles perfeitas e apenas um traço colorido nos olhos, deu o tom do desfile. O estilista fez um desfile divertido, com duas modelos de cada vez, mostrando as diferenças das combinações.

Na paleta de cores, preto, rosado, vermelho e laranja "tibetano" estavam presentes, como aconteceu no desfile de sua segunda linha, Emporio Armani, na última sexta-feira. No início da Semana de Moda de Milão foram apresentadas também peças de pele em cores vivas, e algumas pelas â "falsasâ", como no desfile da Armani, com bons resultados.

Durante a manhã, oito manifestantes pelos direitos dos animais protestavam na calçada em frente ao desfile da marca Max Mara e foram retirados pela polícia. A escolha do local para uma manifestação foi irônica, já que a marca italiana quase não desfilou peças com pele, uma exceção nesta temporada em Milão.

A Gucci apresentou mulheres urbanas amantes dos looks com peles, que usam casacos de pele e couro, botas de camurça com calcanhar em verniz e muitas calças, meio escondidas nessa temporada. Os cabelos eram muito lisos, condizentes com o estilo da marca.

À noite, a mulher Gucci se mostra em todo o seu esplendor e se tranforma em uma criatura diáfana, com saia curta, cercada por rendas, plumas pretas e brilhos.

Entre as tendências que mostram sua cara em Milão, a principal delas é a sobreposição.

Antonio Marras, estilista que apresenta também as coleções da maison Kenzo em Paris, mostrou um trabalho com estampas e texturas, inspirado por uma mulher aventureira, como ele, convertida em ladra pelo amor de um homem.

Grandes capas e sobretudos com dragonas para esta louca mulher de Marras, do início do século XX, além de sobreposições de peças para enfrentar o frio. Rendas ultra delicadas apareceram combinadas com tweed e tecidos mais pesados e masculinos. As cores principais foram o cinza e o preto, com toques de coral, verde e marfim. A masculinidade apareceu também nos cabelos milimetricamente bagunçados em estilo â "tomboyâ", menininho.

Max Mara também utilizou a temática militar, mas misturado com um clima de marina, com vestidos e casacos abotoados na lateral do pescoço, jaquetas fluidas e blusas com motivos marinheiro nas costas. Um paletó com ares de uniforme na frete, por trás esconde um estilo bem feminino.

A marca italiana permanece fiel a seus materiais prediletos como a cachemira, a pele de camelo e a franela, em variantes de preto, azul e cinza e alguns dourados.

A marca Bottega Veneta apresentou vestidos de saia larga e modelagem ampla, em rosa e vermelho, mostrando uma silhueta muito vertical, concebida de maneira muito estruturada em cima e fluida embaixo.

Nos pés, sandálias muito altas douradas e reluzentes, nos cabelos, franjas que brincam de esconde-esconde com rostos de olhos marcados por sombras escuras.

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