Moda

Yves Saint Laurent, construtor de uma época, criou a própria marca há 50 anos

Jean Pierre Muller/AFP
O estilista francês Yves Saint Laurent com a modelo Laetitia Casta (esq.) e a atriz Catherine Deneuve (dir.) é aplaudido em galeria de arte de Paris, no seu último desfile (22/02/2002) imagem: Jean Pierre Muller/AFP

PARIS - O vestido Mondrian, a mulher fatal de smoking, a aventureira em traje safári: 50 anos depois da criação de sua casa de alta-costura, no dia 4 de dezembro de 1961, Yves Saint Laurent já faz parte do patrimônio cultural francês, reconhecido em todo o mundo, apesar de seu falecimento, em 2008.

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    Entre suas musas Betty Catroux (esq.) e Loulou da la Falaise, Yves Saint Laurent usa uma de suas criações icônicas: o traje safári (10/09/1969)


"Há muito de Saint Laurent em todos os lugares. As influências mais importantes são as que se veem, talvez, menos", disse à AFP Pierre Bergé, 81 anos, que o ajudou a dirigir durante 40 anos a grife YSL e se ocupa, hoje, da fundação criada em homenagem ao grande estilista e seu companheiro.

"Saint Laurent marcou uma época. Todos têm um Saint Laurent sem sabê-lo. Ele inventou todo um universo masculino que adaptou, em seguida, para os ombros das mulheres: smoking, capa de chuva, traje safári...Ele representa seu país, e como! ", acrescentou o empresário.

"Ele dizia que a moda não é uma arte. Eu acrescento : mas é preciso ser um artista para criá-la", prosseguiu Bergé que compara a posição de Yves Saint Laurent à de um grande pintor, descrevendo uma personalidade cuja influência vai bem mais além da própria moda, uma característica comum a "apenas uma outra estilista": Coco Chanel.

"Eles penetraram no território social, com uma cumplicidade com as mulheres e as ruas. Só os dois", disse.

Yves Saint Laurent conheceu a glória desde seu primeiro desfile "chez Dior" onde sucedeu ao mestre, em 1957. Na época, sua linha "Trapèze", trapézio, rompeu com os vestidos de cintura bem marcada, de vespa, fazendo um sucesso estrondoso.

No dia 4 de dezembro de 1961, criou sua própria 'Maison', em parceria com Pierre Bergé e se instalou no número 30, da rua Spontini em Paris. Juntos, YSL na criação e Bergé na administração, construíram uma grife que deu a volta ao mundo, com o logotipo formado por três letras pretas entrelaçadas, ainda um símbolo de elegância à francesa.

A marca, hoje propriedade da PPR, registrou no ano passado negócios de 270 milhões de euros. Os perfumes e os cosméticos estão nas mãos da L'Oréal.

Picasso, Mondrian, pop art Saint Laurent tinha 25 anos quando apresentou a primeira coleção, no dia 29 de janeiro de 1962. Inventou o guarda-roupa da mulher moderna: a capa e o trench-coat, o tailleur com pantalona, o jumpsuit... Serviu-se dos códigos masculinos para dar à mulher a própria liberdade. Vestiu todas as mulheres, não apenas a clientela rica.
 

  • Carl Court/AFP

    Icônico vestido "Mondrian", de Yves Saint Laurent, foi arrematado em leilão da Christie's, de Londres, por cerca de R$ 85 mil. A peça, da década de 1960, fazia parte de um lote de roupas vintage da marca (1º/12/2011)

Teatro, dança, cinema: criou para todas as artes e foi amigo dos artistas, com a confecção de coleções em homenagem (Matisse, Cocteau, van Gogh, Picasso...), estando entre eles os vestidos Mondrian, depois os da pop art, assim como uma coleção africana.

A casa de alta-costura fechou as portas em 2002, quando Yves Saint Laurent decidiu aposentar-se. Mudou-se, em 1974, para uma mansão particular, na Avenida Marceau, que abriga, hoje, a Fundação Yves Saint Laurent. Aí são organizadas, regularmente, exposições de artistas - apresenta-se, atualmente, a fotógrafa Gisèle Freund.

Retrospectivas Saint Laurent foram realizadas em todo o mundo desde 1983. Madri acolhe uma delas, no momento, após o sucesso da organizada no Petit Palais em Paris, em 2010. Em algumas semanas será a vez de Denver, Colorado".

Por ocasião desse aniversário, Bergé decidiu dirigir uma mensagem "aos jovens desenhadores de moda para que entendam e apliquem uma das regras de ouro de Saint Laurent : uma roupa é destinada, antes de tudo, a vestir uma mulher, não para agradar a si mesmo, não para contentar fantasmas".

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