Moda

Passarelas mostram uma Chanel clássica e Saint Laurent polêmica

Patrick Kovarik/AFP
Ao centro da passarela da Chanel, um globo representa a expansão da grife pelo mundo. São, ao todo, 100 pontos de venda próprios imagem: Patrick Kovarik/AFP

De Paris

Atrizes de cinema e membros da realeza assistiram nesta terça-feira (5) ao desfile da maison Chanel, que trouxe uma elegância clássica e romântica em contraste à silhueta desalinhada e muito jovem que dominou a passarela de Saint Laurent na véspera e gerou polêmica.

Casacos de tweed usados com botas de cano alto, jaquetas sobre saias muito curtas, calças justas, abrigos em tweed, malhas com fios metálicos: o diretor artístico da Chanel, o alemão Karl Lagerfeld, enviou uma mensagem de elegância discreta, mas com um toque sexy e chique.

"Usaria tudo", disse após o desfile a atriz Jessica Chastain, sentada na primeira fila assim como a princesa Caroline de Mônaco e um príncipe do Oriente Médio.

"É uma coleção romântica, que me lembra a Coco (Chanel) dos anos 1950", disse Chastain, enquanto a cantora e atriz francesa Vanessa Paradis dizia ter "adorado tudo", especialmente os looks com saia, que pareciam "muito chiques". O próprio Lagerfeld descreveu sua coleção como "chique sexy". Mas é um "sexy discreto, não de sex shops", disse.

A cartela de cores do estilista foi dominada pelo azul profundo, confirmando que os tons escuros, mais noturnos, vão dominar o próximo inverno. Também apareceram o preto e o cinza misturados a alguns looks em tons de rosa.

A surpresa dos convidados para a apresentação da coleção prêt-a-porter outono/inverno da Chanel começou logo na entrada do Grand Palais: sob a majestosa cúpula de cristal estava um imenso globo terrestre preto, onde brilhavam centenas de pequenos pontos iluminados.

Para alguns, como Vanessa Paradis, a esfera em tons de preto e cinza evocava o mau estado do planeta. "Acho que Karl quer que nos conscientizemos da situação do planeta", disse a atriz ao final do desfile.

Mas o globo terrestre com luzes representa, explicou Lagerfeld, a expansão comercial da marca de luxo no mundo inteiro. A esfera representa "a globalização da Chanel", disse Lagerfeld após saudar os convidados no final do desfile, realizado no oitavo e penúltimo dia da semana de moda de Paris.

"Há 100 anos a Chanel abriu sua primeira loja em Deauville. Hoje existem 300 lojas Chanel em todo o mundo. Não é nada ruim em 100 anos ter 100 lojas Chanel no planeta", acrescentou.

"Onde se vê uma bandeira (no globo) há uma loja da Chanel", disse Lagerfeld, que não escondeu sua satisfação por estar à frente dessa expansão. "Posso estar feliz, porque quando comecei, há 30 anos, só existiam três ou quatro [lojas da Chanel]", disse.

O estilista explicou que o ponto de partida de sua coleção foram "os materiais, as proporções, o volume e a largura" das peças.

A coleção da Chanel parece ter produzido consenso, diferente do desfile de Hedi Slimane para Saint Laurent, na segunda-feira à noite, cuja estética "grunge" - inspirada na banda Nirvana - provocou controvérsia e suscitou muitos comentários negativos.

"Parecia estar no desfile de uma amiga do meu filho de 20 anos, que é estudante de moda e chamou há pouco tempo suas amigas anoréxicas para desfilarem algumas de suas criações", disse nesta terça-feira na entrada do Grand Palais uma editora de moda que não quis se identificar.

"Sinto como se Slimane estivesse nos fazendo de bobo", disse outra editora comentando a passarela da maison Saint Laurent, que é sempre uma das mais esperadas da semana de moda parisiense, que termina na quarta com o desfile da Louis Vuitton.

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