Moda

Em meio a denúncia de racismo, desfiles chegam a Paris para ditar o verão

Ian Langsdon/EFE
Modelos apresentam looks da Saint Laurent para o Inverno 2013 durante a semana de moda de Paris (04/03/2013) imagem: Ian Langsdon/EFE

De Paris

Paris recebe na próxima semana os estilistas de moda feminina mais famosos do mundo e suas coleções para o Verão 2014, apresentadas em cem desfiles na elegante capital francesa.

A temporada de moda "prêt-à-porter" começou no início do mês em Nova York e seguiu para Londres e Milão, mas a sofisticação da capital francesa vai dar, como sempre, a última palavra.

De 24 de setembro a 2 de outubro, os desfiles da programação oficial, que conta com as grandes grifes como Chanel, Dior, Valentino e Saint Laurent, vão se unir às dezenas de desfiles "off" e showrooms privados, com participação de estilistas latino-americanos de países como Brasil, Argentina, Colômbia e Peru.

Como de costume, a moda se apropria da realidade e a devolve, sublimada ou contrária, nas passarelas. Em Nova York, o idolatrado Marc Jacobs fez seu desfile em um cenário apocalíptico. A semana de moda de Londres buscou inspiração no glamour doméstico da dona de casa norte-americana dos anos 1950.

Nesta semana, Milão anunciou a volta do luxo e dos materiais de alta qualidade às vitrines, em um sinal de que a indústria começa a apostar em um esperado fim da crise mundial que permita vender produtos mais caros a um público sempre exigente, mas farto do consumo desenfreado e irresponsável.

Paris espera ansiosa por Alexander Wang, que apresentará seu segundo desfile para a Balenciaga, depois de uma deslumbrante primeira coleção de inverno do menino mimado de Nova York para a marca, criada pelo estilista espanhol mais importante da história da moda, contemporâneo de Coco Chanel.

Também há uma grande expectativa pela coleção de Hedi Slimane, referência da moda masculina do início do século 21 na maison Dior, que no ano passado debutou na moda feminina da Saint Laurent. Slimane tirou logo de cara o nome "Yves" da marca e mudou seu ateliê para Los Angeles.

Pouco antes de Saint Laurent, é esperada a espanhola Amaya Arzuaga, figura já conhecida no clube exclusivo da semana de moda de Paris, com sua passarela instalada especialmente para a marca no Instituto Cervantes.

O brasileiro Pedro Lourenço, que já marcou presença na temporada anterior, não está dessa vez na lista oficial da semana parisiense.

Alguns estilistas optaram por mostrar suas coleções fora do circuito oficial, nos chamados desfiles "off", mais baratos.

A Argentina organiza por exemplo um desfile conjunto em sua embaixada para seus estilistas Darío Arbina, Carlo Di Doménico, María Gorof e Jorge Ibáñez.

Paco Rabanne, a maison do estilista espanhol consagrado que ficou órfão após a saída de sua diretora criativa Lydia Maurer, vai estrear sua primeira coleção sob a batuta do francês Julien Dossena, em um desfile previsto para acontecer no museu Jeu de Paume, também fora do programa oficial.

Na hora de montar suas passarelas, os estilistas foram se apoderando com o passar dos anos dos locais mais belos de Paris, como a Escola de Belas Artes, o Grand Palais e os "hotéis particulares", suntuosas mansões de pedra do século 18.

Nesse ano, será montada uma tenda gigante no Jardin des Tuileries para sediar vários desfiles, enquanto outras marcas vão utilizar o estilo art decor do Palais de Tokyo, onde ficará também a sala de imprensa internacional.

A poucos passos dali, o Palácio Galliera, sede do Museu da Moda, reabrirá suas portas em 28 de setembro com uma retrospectiva dedicada ao venerado estilista tunisiano Azzedine Alaïa.

A modelo favorita de Alaïa, Naomi Campbell, juntou-se a outra grande modelo negra, Bethann Hardison, para denunciar em uma carta à Fedeação Francesa de Costura o racismo no mundo da moda.

"Teremos cem desfiles de 22 nacionalidades diferentes. Não entendo como poderíamos ser acusados de racismo", disse o presidente da entidade, Didier Grumbach. "Houve uma época em que as modelos mais belas eram negras. As coisas vão girando", acrescentou. "Há períodos em que somos mais europeus", concluiu.

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