Moda

Dior renovada e minimalismo refinado de Issey Miyake desfilam em Paris

AFP
Para apresentar seu desfile de Verão 2014, a Dior montou um jardim no Museu Rodin, em Paris. Com flores coloridas que despencavam do teto e plantas envolvendo os convidados, o desfile também mostrou estampas delicadas e uma cartela de cores inspirada pelas flores imagem: AFP

De Paris

A semana de moda de Paris confirmou nesta sexta-feira (27) a grande diversidade de suas passarelas, desde uma coleção Dior reinventada por Raf Simons até estilistas da Argentina, passando pelo minimalismo refinado da marca japonesa Issey Miyake.

Os vestidos de mulheres-flor continuam presentes na Dior, mas aparecem com novos detalhes. O belga Raf Simons expressa em sua coleção prêt-à-porter feminina primavera-verão 2014 sua vontade de renovar a famosa grife francesa.

O cenário do desfile é suntuoso. Nos jardins do museu Rodin, milhares de flores caem em cascata de uma estrutura metálica. Os tons são malva, rosa e vermelho, além de grandes folhas de bananeira.

"Levamos vários dias para montar", disse à AFP o presidente da Dior, Sidney Toledano. "Foi uma ideia de Raf. Já sabíamos que ele adora as flores". Para sua estreia, em julho de 2012, o estilista desfilou diante de muros de rosas e orquídeas.

A apresentação começa desta vez com uma de suas magníficas pregas em uma saia de seda pura assimétrica e outras em tons de azul ou laranja.

Também tiveram espaço os shorts-saia. Os monogramas da Dior dominam as silhuetas, no busto ou nas mangas dos looks, que também recebem escudos. Um dos vestido, em azul e preto e forma clássica, tem estampada a palavra "hyperrealness", ou hiperautenticidade.

Os cabelos das modelos pareciam molhados, muito puxados para trás. A maquiagem foi suave, apenas com olhos mais marcados. Nos pés, scarpins de bico muito fino em branco e prata.

"Esta coleção se define pela vontade de desviar a Dior, de empurrá-la um pouco" explica Raf Simons no release do desfile. Diz também que quer imprimir à Dior "uma nova narrativa".

O final do desfile foi reservado à "nova tribo de mulheres-flor". Dior as imaginou para seu primeiro desfile de Alta-Costura em 1947. Desta vez, elas brilham, porque usam jacquard prateado e coberto por minúsculas flores.

"Transforma Dior, mas conserva seus valores", explica Toledano. "Não conheço muitos ateliês capazes de fazer isso".

A namorada do presidente francês François Hollande, Valérie Trierweiler, estava sentada na primeira fila, junto a Bernard Arnault, presidente do grupo de luxo LVMH, dono da Dior. Vestida de Dior, é claro. "Só me visto assim em ocasiões especiais", explica, citando como exemplo compromissos oficiais e viagens ao exterior.

"No início, fui criticada por não ser suficientemente elegante. Não sabia nada sobre isso. Hoje estou feliz por me vestir assim. É muito feminino", explica.

Em um universo muito diferente, mas não menos sofisticado, com música eletrônica ao vivo em telas táteis, Issey Miyake apresentou sua coleção inspirada na "luz e na leveza", sintetizadas em inglês pela mesma palavra: "light".

"Esta coleção é híbrida", o que significa que utilizei fibras naturais e novas tecnologias para criar, explicou à AFP o estilista da Issey Miyake, Yoshiyuki Miyamae.

As modelos, estranhamente (para o mundo da moda) sorridentes, desfilaram ao acaso na passarela de linhas retas, mostrando conjuntos e vestidos monocromáticos, brancos ou pretos, com linhas verticais ou com textura quadriculada.

O desfile, em três partes, jogou com a sombra noturna das estrelas da Lua e finalmente com cores radiantes do dia, sempre dentro do minimalismo de linhas puras que caracteriza os estilistas japoneses. Nos pés, sandálias de salto largo em formato T.

O dia termina com os desfiles de um grupo de estilistas argentinos, fora do programa oficial da semana de moda: Darío Arbina, Carlo Di Doménico, Maria Gorof e Jorge Ibáñez.

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