Moda

Em Milão, moda masculina traz formas básicas e apreço à tradição

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13 jan. 2014 - Modelos desfilam looks da Emporio Armani para o Inverno 2014 durante a semana de moda masculina de Milão imagem: Getty Images

De Milão

Cores clássicas, modelagens perfeitas, materiais nobres: seja nas passarelas da Emporio Armani, da Canali ou da Gucci, o clima nesta segunda-feira (13) foi de "volta às origens" da moda italiana no terceiro dia de desfiles de prêt-à-porter masculino em Milão.

Batizada "Ilusão", a coleção de inverno masculina da Emporio Armani foi buscar inspiração nas montanhas, simbolizadas pelo cinza mineral em infinitas variações: empoeirado, aberto, difuso e metalizado. As outras cores da cartela escolhida para o urbaníssimo homem Armani - azul desbotado, preto obscuro, berinjela - lembram tons metropolitanos. Mas são homens da cidade que usariam, sem susto, uma mochila de trilha, suéteres de gola alta ou luvas de esqui. Os cardigãs são fechados na frente com zíperes e forrados com moletom nas costas; as calças são curtas, deixando o tornozelo à mostra. Entre os tecidos, predominam o jacquard, o xadrez príncipe-de-Gales detonado e a lã de cordeiro (Astrakan) é usada como forro.

No inverno masculino da Gucci, Frida Giannini, diretora da maison italiana, escolheu levar seus homens para a praia - fria, que fique claro - e os vestiu com casacos impermeáveis de cortes variados. O azul marinho escuro e o preto profundo dominam, com alguns detalhes em rosa pálido, e as calças de couro, marca registrada da grife florentina, também são curtas. O comprimento reduzido foi igualmente escolhido para os suéteres que aparecem amplos e quase sem nenhuma gola, tal qual regatas de luxo feitas de lã penteada. As bolsas com alça de bambu, outro ícone da Gucci, aparecem no tamanho ideal para levar os apetrechos do homem que vai ao litoral.

Na passarela da Etro, o que se viu foi xadrez, pied-de-poule, cashmere, ternos, gravatas estreitas e plastrões (usadas em forma de lenço e presas, geralmente com uma pérola) e até casacas. Na volta de uma temporada na Grã-Bretanha, o homem da Etro mostra alguns empréstimos valiosos do clássico guarda-roupas britânico e imprime sua marca pessoal ao optar por se vestir em cores suaves e apetitosas - creme, caramelo e chocolate. Maduro ou jovem, o Phileas Fogg da releitura feita pelo estilista Kean Etro faz jus ao cavalheiro de "Volta ao mundo em 80 dias" imaginado por Júlio Verne e dono de uma elegância fora dos padrões.

Num ambiente suave, ao som do piano de Ludovico Einaudi, a respeitável casa Canali, fundada em 1934, escolheu a água como elemento de conexão entre dois mundos: o Oriente e o Ocidente, um laço simbólico entre duas culturas, tendo como inspiração os tons pastel da Lagoa de Veneza. Fluidez, luxo, delicadeza. As calças de caimento impecável são arrematadas por botinas bem-acabadas, os colarinhos aparecem abertos de forma displicente, o casaco pesado de inverno é fechado com um único botão. O cavalheiro Canali caminha pela vida moderna como se mirasse seu palacete à beira do Canal Grande.

A coleção da Fendi, desenhada "a partir de uma observação lúcida da realidade sob o prisma" da grife romana, mostra uma preocupação gráfica e se propõe eficaz e pragmática, com um objetivo: "definir um guarda-roupa ideal, criado para passeios urbanos", segundo Silvia Venturini Fendi. A pele, quintessência do savoir-faire da marca, é valorizada dos casacos às luvas, acrescentando à silhueta clássica uma ponta de humor, "o truque do homem Fendi". Outro ícone da marca, a bolsa Peekaboo aparece em sua versão masculina.

Para fechar os desfiles de Milão, nesta terça-feira subirão às passarelas as grifes DSquared2, Giorgio Armani, ZZegna e Roberto Cavalli.

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