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John Galliano fica invisível no desfile da Maison Margiela em Paris

De Paris (França)

A Maison Margiela apresentou nesta sexta-feira (23) em Paris uma coleção masculina sóbria com toques de vintage, que contrastou com o estilo barroco habitual de seu novo diretor artístico, John Galliano, que não apareceu no desfile.

Preto e cinza foram os tons dominantes da coleção Inverno 2015, com calças de modelagem muito ampla e alguns looks de cores chamativas, tudo seguindo um estilo anos 70 que deu ao conjunto o aspecto de uma coleção saída de um brechó.

Galliano passou a dirigir Maison Margiela há quatro meses e o desfile era muito esperado pelos 4.000 fashionistas, compradores e jornalistas especializados que assistem à semana de moda.

Mas a marca manteve sua tradição quase religiosa de anonimato e trabalho em equipe. Como de costume, os funcionários receberam o público sob os lustres de cristal da elegante sala Wagram de Paris. Vestiam túnicas brancas, como jalecos de funcionários de um laboratório. Ninguém fez a saudação no final desfile. Galliano? Nenhum sinal.

Que papel desempenhou o novo diretor artístico na nova coleção? Maison Margiela se limitou a dizer que se trata "de uma obra coletiva, supervisionada por John Galliano".

Sua ausência, na verdade, surpreendeu a poucos. Galliano voltou este mês às passarelas da alta-costura, mas o fez de discretamente em Londres e não como é habitual em Paris, a cidade onde ocorreu a estrondosa polêmica do estilista, na época no topo da moda.

Demitido da Maison Dior após insultos antissemitas contra desconhecidos em um bar de Paris em 2011, Galliano desapareceu a vida pública durante cerca de três anos, antes de anunciar seu contrato com a Maison Margiela, que ostenta a modéstia como imagem da marca.

O dândi sombrio de Melinda Gloss Uma atmosfera fim do século XX, com guimbas de cigarro pelo chão e tapetes cobertos de notas, reinou nos grandes salões da fundação Mona Bismarck de Paris, onde a marca Melinda Gloss apresentou sua coleção.

Blazers risca de giz com abotoamento cruzado, uma ampla capa em azul marinho, mocassins brilhantes: o homem de Melinda Gloss é metade gângster e metade dândi.

Os modelos desfilaram em grupos em uma sala com música ao vivo. Em outro salão foi recriado um ateliê de pintura.

"O homem de Melinda Gloss é bastante sonhador. Muito parisiense, mas descontraído, não muito arrumado", resume Rémi de Laquintane, de 33 anos, um dos criadores desta marca fundada em 2009.

"Quis trabalhar com coisas muito clássicas, os tapetes, coisas do século XVIII, e ao mesmo tempo transforma-los adicionando um pouco de transgressão, com couros e volumes bastante generosos", diz o estilista.

A interação entre música, pintura e moda é de grande importância para este ex-estudante de filosofia, "em um mundo - acrescenta - em que tudo está integrado".
 

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