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Mulheres de Chanel florescem em jardim encantado com umbigo à mostra

De Paris (França)

Apresentada como flores em um jardim encantado, a coleção de alta-costura da Chanel brincou com os códigos da lendária maison e Karl Largerfeld ousou com jaquetas tão curtas para o próximo verão que deixam o umbigo à mostra.

"É o novo decote, todo mundo já mostrou a parte de cima, agora fizemos um pouco mais para baixo", disse o estilista em entrevista após o desfile.

O Grand Palais de Paris, sala de exposições coberta por uma imensa claraboia, foi o cenário ideal para mostrar a coleção, onde como em um livro "pop-up" se abriam as flores coloridas e apareciam as modelos da coleção Verão 2015.

"São mulheres como flores, mas estas flores a natureza esqueceu de criar e nós mesmos as inventamos", disse Lagerfeld, acrescentando que adora esse tipo de livro infantil que, ao ser aberto revela figuras em três dimensões.

As flores apareceram também nos vestidos e nas jaquetas muito curtas com barriga de fora, apenas para as que querem e podem usar.

As cores predominantes foram o rosa pastel, com toques de laranja, azul e contraste entre branco e preto típicos da marca fundada pela lendária Coco Chanel.

O clássico blazer Chanel aparece com franjas, os cintos pendurados como fitas, as saias abaixo do joelho, muito retas mas de modelagem ampla. Nos pés aparecem desde sapatos pretos baixos até botas que sobem pela panturrilha como meias.

Beleza futurista extraterrestre
"É uma coleção muito rica em gêneros, bordados, e há uma incrível fusão de ideias", disse a ex-modelo Ines de la Fressange, que lembrou principalmente das "costuras enviesadas das saias, as pedras e os bordados".

Segundo a musa de Lagerfeld, filha de um aristocrata francês e uma modelo argentina, o 'kaiser' da moda "nunca cede à facilidade, é uma espécie de pesquisador, não necessariamente tenta fazer coisas que pareçam lindas, mas quer que sejam únicas".

O desfile terminou com a tradicional noiva de branco, apresentada pela modelo americana Molly Blair, uma menina de beleza futurista, quase extraterrestre.

Segundo Lagerfeld, "não há nada igual". "Parece saída de um filme de ficção científica, uma espécie de E.T. da beleza", disse o estilista alemão a respeito da moça, ainda que o chapéu que usou durante o desfile tenha escondido boa parte do rosto de Molly.

Lagerfeld disse que sentiu a necessidade de criar este mundo encantado quando começou a imaginar a coleção há seis meses, muito antes dos trágicos acontecimentos que estremeceram a França após os ataques jihadistas.

"Eu não sou francês e vivo em um mundo protegido, por essa razão posso manter uma espécie realidade de sonho, que também é uma realidade, mas que não é a realidade da vida cotidiana", disse.

Largerfeld foi um dos primeiros no mundo da moda a se solidarizar com as vítimas do ataque contra a revista Charlie Hebdo em 7 de janeiro, ao divulgar uma foto sua com um cartaz com a frase já célebre, "Je suis Charlie".

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