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Balenciaga estreia na moda masculina apelando aos códigos do fundador

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Desfile da Balenciaga na Semana de Moda Masculina de Paris imagem: Divulgação

Em um século de existência, Balenciaga jamais apresentou moda masculina nas passarelas, mas quebrou a tradição nesta quarta-feira (22) com um desfile que apelou para os códigos da Alta-Costura e as assombrosas modelagens do fundador basco.

O desfile foi o mais esperado da Semana de Moda Masculina e foi apresentado nos salões de um exclusivo colégio de jesuítas no oeste de Paris. A coleção do georgiano Demna Gvasalia --que estreou na marca após a saída de Alexander Wang-- é do início ao fim uma homenagem ao estilo de Cristóbal Balenciaga (1895-1972).

Quase um século após a fundação da marca pelo estilista nascido em Guetaria, filho de pescador e costureira, o homem Balenciaga imaginado por Gvasalia abre caminho com looks superdimensionados ou o extremo oposto, muito justos e enxutos. 

A modelagem é clássica, com calças pregueadas e muito amplas. As cores acompanham o estilo com estampas xadrez Príncipe de Gales. Nos pés surgem botas quase até os joelhos e saltos altos. A jaqueta "bomber" de aviador teve a modelagem e a forma mudadas nos ombros e mangas, e se transformou em uma inconfundível peça Balenciaga.

"Cristóbal Balenciaga era um mestre do corte e nossos arquivos conservam os primeiros esboços de roupas para homens que o estilista desenhou, não só para seus clientes, mas também para ele mesmo", diz a marca. "Os cortes de Demna Gvasalia são o equivalente masculino de nossas linhas de Alta-Costura".

Para essa coleção Verão 2017 aparecem jaquetas muito curtas e camisas de manga curta alternam com camisetas de malha justas no corpo. Para a noite a inspiração é litúrgica, com looks de seda fornecida pelo mesmo fabricante que abastece o Vaticano. O homem Balenciaga usa ao redor do pescoço uma estola de seda com estampa adamascada em dourado ou púrpura que lembra os cardeais.

Dentro e fora das regras
O restante do dia foi dedicado às marcas mais novas, como Facetasm, do japonês de 39 anos, Hiromichi Ochiai, ídolo dos jovens que em Tóquio usam sem vergonha sua moda de coloridos elétricos e peças inesperadas.

"Vivo em Tóquio, onde não há fronteiras entre a Alta-costura e a moda das ruas", disse o estilista à AFP após o desfile. "Acredito que posso fazer criações diferentes dos europeus, porque posso ao mesmo tempo respeitar as regras e me libertar delas".

Já a marca OAMC, de design francês e fabricação italiana, imaginou uma coleção para responder às necessidades de isolamento do homem contemporâneo, sedento de espaço e reencontro consigo mesmo. 

Os modelos não desfilaram, e sim se apresentaram em uma espécie de jardim de inverno tropical entre escuras plantas exóticas, como se fossem orquídeas ou personagens de um quadro 'naif' de Henri Rousseau. 

Essa busca pela volta da ingenuidade ou uma pureza protegida se traduz nas formas elementais e na grande presença dos tons rosados, mas existe espaço também para looks em forma de capa mais obscuros.

Os modelos por vezes beiram uma versão masculina da moda "modesta" que causou revolta nas passarelas femininas porque apela para códigos religiosos do cristianismo ou do islamismo. Nesse sentido, pelo menos cinco conjuntos do desfile da marca francesa Lemaire incluíram túnicas tradicionais árabes com capuz.

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