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Feira da Madrugada em São Paulo pode ser cedida para iniciativa privada

Zanone Fraissat/Folhapress
Prefeitura quer conceder a exploração comercial da Feira da Madrugada para a iniciativa privada imagem: Zanone Fraissat/Folhapress

Dez meses depois de assumir a gestão da Feira da Madrugada do Brás, região central da capital paulista, a Prefeitura de São Paulo quer conceder a exploração comercial de 3,5 mil boxes de lojistas para a iniciativa privada.

É o que prevê o projeto - feito ao custo de R$ 8 milhões - que será apresentado pelo prefeito Gilberto Kassab (sem partido) na quinta-feira (29) ao governo federal, proprietário da área de 136,8 mil metros quadrados no centro.

Como contrapartida pela gestão do galpão, por onde passam cerca de 50 mil pessoas por dia, o futuro concessionário terá de investir R$ 400 milhões em infraestrutura.

Um hotel de serviços com 300 apartamentos, um estacionamento para 500 ônibus e outro para 1.152 veículos e uma torre comercial com 445 escritórios devem ser construídos no entorno da ferinha pelo vencedor da concessão do local - o período de gestão deve ser de 30 anos e os equipamentos construídos vão ficar para a União.

"O objetivo é criar um circuito de compras entre as regiões do Brás, 25 de Março, Santa Ifigênia e Bom Retiro", argumenta o secretário de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, Marcos Cintra.

Para levar a ideia adiante, a Prefeitura precisa assumir a posse definitiva da área da feirinha, que pertencia à antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e hoje é propriedade do Ministério do Planejamento.

O governo federal vai se pronunciar somente após conhecer o projeto, elaborado pela IDP, empresa ligada ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Prefeitura passou a gerenciar o espaço da Feira da Madrugada em 22 de novembro.

Entre 1998 e 2010, a área foi explorada pela empresa GSA, que havia loteado o terreno do governo federal com mais de 8 mil boxes de camelôs.

Após investigação da Polícia Federal, foi constatado que os ambulantes pagavam até R$ 4 mil por mês pelo aluguel dos boxes, onde eram vendidos produtos contrabandeados e até drogas.

"Teve lojista que pagou R$ 200 mil por um box sem nenhuma garantia. Agora, o concessionário vai também cobrar pelo uso dos boxes, mas tudo vai ser dentro da lei e sem produto pirata", assegura Cintra.

Dos 8.000 mil camelôs que estavam no galpão da feira em novembro, quando a Prefeitura assumiu o espaço, restaram 2.938. Só nos últimos 22 dias, foram lacrados 993 boxes onde havia venda de produtos piratas e outros 169 sob suspeita de estar com documentação irregular.

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