Moda

SPFW fica entre a modinha e o conceitual

Alexandre Schneider/UOL
Edição de 20 anos do evento teve despedida de Gisele e muito mais imagem: Alexandre Schneider/UOL

Desfiles de peso marcaram o último dia da São Paulo Fashion Week. O primeiro do dia foi assinado pela veterana Gloria Coelho. O segundo, por um estilista recém-chegado à semana, Luiz Claudio, que está no comando criativo da marca mineira Apartamento 03. Gloria, que, aos 40 anos de carreira, costuma ser conceitual, desta vez passou a mensagem de forma direta: tubinhos de vinil, minissaias com modelagem em A, bem anos 1960, macacões de neoprene (material esportivo que já há algum tempo vem sendo usado em roupas urbanas) e é isso. "As minhas clientes não são peruas. Eu me inspiro em uma mulher ativa, que estuda, que pensa, que gosta de esporte", diz ela, que convidou a atriz Isis Valverde para encerrar o desfile.

Luiz Claudio, por sua vez, está em uma fase, digamos, oposta. Então, sua apresentação contou com alguns toques mais conceituais. As modelos vestiam camisas muito alinhadas, coletões interessantes, camisa longa que lembrava camisola e composições pouco usuais como vestidos abaixo do joelho sobre calças e sobreposições sofisticadas. E a modelagem bem arquitetada trazia volumes e amarrações surpreendentes. Foi um desfile bonito.

Na sequência, Adriana Degreas, nome forte da moda praia, desfilou seus maiôs e biquínis e arriscou uma modinha duvidosa: flores cortadas a laser na lycra, deixando o modelo vazado. A ideia é que, após o banho de sol, os desenhos vazados criem uma "tatuagem" na pele. O biquíni modelo asa-delta (outro perigo) também está de volta. Ele surgiu ao lado de recortes ousados e estruturados de forma meio matadora, meio moderna, em versões que faziam lembrar os looks cultuados nas areias nos anos 1980. Adriana fez uma leitura punk do universo do surf, abusando do preto.

Curiosamente, o jovem criador Wagner Kallieno foi um dos poucos a trazer cores vibrantes para as passarelas nesta temporada de verão. Seus vestidos assimétricos de inspiração nos anos 1970, em tons de amarelo e laranja, combinados a botas de camurça caramelo acima dos joelhos, são interessantes e fáceis de usar. Mas ele também propôs conceitos complexos, a exemplo do top que traz uma capa acoplada e da calça-bota - isso mesmo, uma calça jeans que emenda em uma bota.

Mais cedo, o estilista Fause Haten mostrou que não cansa de se reinventar. Ele fez dos fundos de sua loja em Pinheiros o palco de 'uma proposta de moda', como ele mesmo definiu, em sua linguagem teatral. Ao centro, apenas uma mulher, a amiga e cliente de Fause, Flávia Sahyoun. Num palco circular, ela vestia o primeiro dos 14 looks apresentados, um casaco de pele sintética mídi azul.

O dia terminou animado. No embalo da música Show das Poderosas, da funkeira Anitta, a Amapô levantou a plateia ao mostrar na passarela modelos de cabelos coloridos e roupas idem. Irreverentes, as estilistas Carô Gold e Pitty Taliani buscaram referências nos anos 1980 e, entre as peças saídas do túnel do tempo, estavam bodies de lycra e jaquetas e blusas que traziam estampado o raio de Ziggy Stardust, o icônico personagem de David Bowie. O jeanswear, um dos pontos altos da marca, não perdeu espaço e surgiu em calças de cintura, jaquetas e hot Pants.

Com aspecto bruto, o jeans também se destacou no desfile da 2nd Floor, que fechou a semana de moda de maneira lúdica. Fios com lâmpadas amarelas sobre a passarela, lambe-lambes e pipoca doce colorida eram alguns dos elementos que conduziam os convidados a um passeio por um parque de diversões. Supercomercial e cheia de peças que vão agradar o público jovem, a linha tem vestidos de jérsei fit (uma espécie de neoprene) em tons abertos, macacões fluidos com estampa de montanha-russa e uma série de roupas listradas em preto e branco, feitas com tiras de seda e com as costuras meio soltas. Tudo despojado e pronto para estar nas lojas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Topo