Moda

Alexander McQueen lançou seis tendências que marcaram a moda

Rajini Vaidyanathan
Da BBC News

Das calças de cintura extremamente baixa aos cachecóis com estampa de caveira, dos sapatos extremos ao corte perfeito, o estilista britânico Alexander McQueen, que foi encontrado morto na quinta-feira, era o favorito do mundo da moda. Mas, qual foi exatamente sua contribuição?

 

Celebrado na indústria do estilo e entre os que observam de perto as tendências da moda, a contribuição de McQueen poderia passar despercebida para os leigos. Mas muitos dos modismos das últimas duas décadas foram influenciados por ele. Confira abaixo seis tendências lançadas por McQueen no cenário da moda mundial.

 

CALÇAS DE CINTURA EXTREMAMENTE BAIXA
As calças "bumsters" (trocadilho com a palavra “bum”, que significa traseiro em inglês) de McQueen apareceram em 1996 e deram origem à tendência de calças extremamente baixas, que nos casos mais extremos eram também bastante reveladoras.

 

“A ‘bumster’ para mim foi o que definiu McQueen”, disse Michael Oliveira-Salac, diretor da agência de relações públicas de moda Blow PR e amigo antigo do estilista. “Foi o visual que o colocou no mapa porque foi controverso.”

 

“Aquelas ‘bumsters’ estavam em seus primeiros desfiles. Algo como 20 pessoas apenas as usavam na Inglaterra na época.” Foi um visual que continuou a se disseminar, apesar de poucos terem tido a coragem de usar as calças tão baixas quanto sugeriu McQueen. O jeans de cintura baixa se tornou peça obrigatória nos anos 1990 e 2000.

 

A visão de um jeans baixo hoje em dia não causa mais nenhuma surpresa, mas quando McQueen colocou suas “bumsters’” na passarela, elas foram uma mudança radical de estilo e geraram vários centímetros de debate na mídia especializada. Segundo Oliveira-Salac, o estilo conseguiu o que o estilista queria. “Não era para ser frívolo, era para ser diferente.”

 

ESTAMPAS DE CAVEIRA
Um tema recorrente que McQueen transportou da passarela para as lojas do mundo foi a caveira. O cachecol, que era sua marca registrada, tornou-se um item adorado por celebridades. Johnny Depp, Lindsay Lohan, Nicole Richie e Cameron Diaz estão entre as estrelas que foram fotografadas usando a peça.

 

“É um cachecol (...) que foi copiado por todo mundo”, disse Faye Sawyer, produtora de moda e editora da revista 125. “Você pode entrar em qualquer loja e comprar uma versão.” A bolsa de mão com caveiras de McQueen é outro acessório com o mesmo tema que gerou várias cópias e falsificações.

 


ALFAIATARIA
McQueen começou a carreira como aprendiz na Savile Row – a rua londrina que é centro da alfaiataria masculina britânica. Foi uma base que lhe deu a reputação de ser um especialista em criar um visual de alfaiataria perfeito no mundo da moda. “Ele era extremamente inteligente na hora de cortar roupas”, disse Alexandra Shulman, editora da revista "Vogue" britânica.

 

Trabalhando nas lojas Anderson & Sheppard e Gieves and Hawkes, McQueen aprendeu sobre forma e proporção na alfaiataria tradicional. Durante esse período ele chegou a criar um terno para o príncipe Charles. Como disse a editora da revista InStyle, Eilidh Macaskill, McQueen não criava apenas visuais loucos para a passarela. “Ele também criou roupas muito belas e usáveis (...) como o terno de corte perfeito, as saias lápis, as belas estampas nas coleções de primavera e verão.”

 

Para Sawyer, a forma como as roupas de McQueen eram cortadas teve um impacto que foi além da passarela. “Corte é tudo. Afetou a moda e chegou ao varejo.”

 

DESFILES TEATRAIS
Gaiolas, borboletas, asas de penas, enormes saltos e até mesmo uma passarela com água, McQueen trouxe drama e teatralidade para o mundo dos desfiles. “Seus desfiles eram geralmente muito teatrais. (...) Me lembro de um desfile onde havia até chifres”, disse o estilista Paul Smith.

 

McQueen usou novas tecnologias e inovações para dar um toque diferente aos desfiles. Em 2006, ele projetou um holograma da modelo Kate Moss na passarela.

 

Ele também experimentou transmitir seus desfiles ao vivo pela internet. Outros desfiles tiveram uma passarela em chamas e uma tempestade de neve.

 

“Os desfiles dele eram sempre à frente de seu tempo, como uma produção completa”, disse Sawyer. “Ele fez as pessoas acharem que não era apenas cabelo e maquiagem. Ele estava fazendo algo que as pessoas pudessem testemunhas.”

 

Seus desfiles extravagantes e coloridos eram sempre convites disputados no mundo da moda. “Eu vi gente brigando nas filas para tentar entrar”, disse ela.

 

MODELOS DIFERENTES
McQueen gostava de chocar e surpreender os convidados de seus desfiles, e não era o tipo de estilista que se conformava com as normas da indústria da moda.

 

Em 1998, ele causou polêmica quando Aimee Mullins, uma ex-atleta das Paraolimpíadas que teve as duas pernas amputadas, desfilou usando próteses entalhadas à mão.

 

“Você sempre esperava o inesperado com Alexander McQueen”, afirmou Helen Boyle, uma produtora de moda e apresentadora. “Todos estavam esperando para ver quem estaria na passarela, e o que estariam vestindo. Ao colocar deficientes na passarela ele estava tirando as pessoas de suas zonas de conforto, fazendo as pessoas pensarem.”

 

Michael Oliveira-Salac disse que McQueen “virou a moda de cabeça para baixo” ao ser diferente. “As ‘supermodels’ não nunca foram tratadas como realeza. Ele era um dos estilistas que não se preocupava com posição social”, disse. “Quando ele trabalhava com as grandes modelos ele adorava tirá-las da zona de conforto.” Oliveira-Salac também lembrou que McQueen foi um dos primeiros estilistas a usar modelos indianas em Londres.

 

SILHUETAS EXTREMAS
Algumas das criações mais memoráveis de McQueen eram estranhas, diferentes, simplesmente bizarras. “Ele não criava apenas moda, ele criava espetáculos”, disse o estilista Scott Henshall. “Ele colocou (a modelo) Sophie Dahl cercada por borboletas, ele usou modelos com o corpo pintado com tinta spray no fim de seus desfiles, ele realmente elevou a moda ao que ela deve ser.”

 

Para Oliveira-Salac, a criatividade de McQueen transcendia a roupa. “Não era só sobre as roupas, era um visual inteiro. O batom, a maquiagem, eram muito proeminentes”, disse. Algumas de suas criações de inspiração mais gótica dividiram os editores de moda. Os olhos pesados e lábios pintados como os de palhaços foram inspirados no lado mais teatral de McQueen, que chegou a colaborar com a marca de cosméticos MAC para criar linhas de maquiagem.

 

Ele era um criador. Ele não era apenas um estilista”, diz Helen Boyle. E nenhuma menção à influência de Alexander McQueen estaria completa sem referências aos saltos enormes que colocava nos sapatos que criava.

 

A cantora Lady Gaga conseguiu dançar em um clipe inteiro usando um par dos sapatos Armadillo de McQueen, que têm salto de 12 centímetros e lembram garras de lagostas.

 

E o estilista nunca criava apenas um chapéu se podia transformá-lo em um capuz coberto por uma instalação de taxidermia. Suas silhuetas adicionaram uma sensação de fantasia, rebelião e vanguarda na moda.


 

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