Moda

Tênis inspirados em Frida Kahlo ajudam comunidades indígenas

Helena Lozano México

O legado artístico de Frida Kahlo deixa rastros 56 anos após sua morte em uma comunidade indígena mexicana que, graças aos fundos obtidos pela venda de sapatos inspirados na pintora, melhora o dia a dia e sua qualidade de vida.

 

Assentada na serra noroeste e centro-ocidental do México, a comunidade indígena mazahua vê no projeto "As pegadas de Frida", lançado em 2008 pela marca de tênis americana Converse e o Grupo para Promover a Educação e o Desenvolvimento Sustentável AC (GRUPEDSAC), uma oportunidade para se desenvolver econômica e socialmente.

 

"O projeto 'As Pegadas de Frida' une a mulher lutadora e incansável que dedicou sua vida e sua obra ao México, através da doação dos recursos obtidos pela venda dos sapatos dedicados a ela, a fim de dar uma oportunidade a essas mulheres e a essas famílias necessitadas", disse hoje à agência Efe Carina de los Santos, diretora de responsabilidade social da Converse México.

 

"Frida Íntima" é a segunda edição de tênis que a Converse coloca à venda como parte do projeto "As pegadas de Frida", que procura beneficiar comunidades mazahuas a partir da construção de cisternas e poços para recolher águas pluviais no município de San Felipe del Progreso.

 

Além disso, contribui com a realização de estudos socioeconômicos da região para saber as condições de água e do solo, e a melhoria do transporte para a comercialização dos produtos e criação de animais.

 

"Isoldita Linda", "El sol y la vida" e "Con amor, Pita y Olga" fazem parte da segunda edição da coleção que colocou 250 pares de sapatos à venda desde o dia 20 de maio.

 

Os tênis "Isoldita Linda", elaborados em tons marfim e café, têm impressos na frente uma carta que Frida escreveu em 1940 a sua sobrinha Isolda quando estava em um hospital em San Francisco (EUA). Já no solado aparecem as iniciais de Kahlo e o selo de Coyoacán, a colônia em que a artista nasceu.

 

O modelo "El sol y la vida" representa dois dos elementos que Kahlo mais gostava, sempre presentes em suas obras - o sol e a luz. Na ponta dos sapatos estão novamente as iniciais de Frida. Um sol e sua assinatura em tons verdes são ressaltados no tênis, todo pintado de marrom.

 

"Con amor, Pita y Olga" é, segundo Santos, o modelo mais representativo, pois é a réplica de um sapato que a artista fez em 1948 com um motivo, em rosa mexicano, de um dragão Chinês e a incrustação de uma medalha que suas duas grandes amigas Pita Amor e Olga Tamayo lhe deram.

 

"Frida é uma mulher que lutou e pela qual nos sentimos inspiradas para seguir transmitindo essa mesma luta e esse mesmo esforço dentro de nossas comunidades. Além disso, estamos muito agradecidos, porque com sua arte estamos nos superando", afirmou Graciela Cristóbal, uma índia mazahua.

 

No ano passado o projeto "As pegadas de Frida" beneficiou 35 famílias, quase uma centena de indígenas mazahuas, e este ano deve beneficiar outras 35.

 

A obra de Frida Kahlo é caracterizada por um lado pelo sentido de rebeldia contra os hábitos sociais e morais, o desejo de independência e o amor por sua pátria e, por outro, pelo sofrimento físico, primeiro devido a uma poliomelite e depois após ficar gravemente ferida em um acidente em um bonde.

 

Suas obras mais representativas sempre trataram destes temas, como exemplificam "El Marxismo dará salud a los enfermos", "Árbol de la esperanza, mantente firme", "La cama volando" e "Las dos Fridas".

"Apesar de sua dor, ela não deixou seu sofrimento, mas a imagem da força feminina e da luta constante", assegurou Cristóbal.

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