Moda

Dona da Zara exige que fornecedor ressarça trabalhadores explorados

Em Madri

O grupo Inditex, proprietário da marca Zara, vai revisar o sistema de produção de seus fornecedores no Brasil, em colaboração com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), para garantir que não haja exploração dos funcionários, informou nesta quinta-feira (18) a companhia espanhola. A empresa exigiu dos fornecedor responsável pela subcontratação irregular que revertam à situação imediatamente. 

O fornecedor, por sua vez, assumiu as compensações econômicas aos trabalhadores e vai corrigir as condições trabalhistas de sua terceirizada "para situá-las ao nível no qual estão as instalações auditadas e aprovadas pelas inspeções correspondentes da Inditex".  

Ao todo, as autoridades brasileiras emitiram 52 autos de infração contra duas subcontratadas que produzem roupas e fornecem para a Inditex no Brasil, onde as costureiras trabalhavam em condições de escravidão.

Flagrantes mostram roupas da Zara feitas por escravos

Em recente operação que vasculhou subcontratadas de uma das principais fornecedoras da Zara, 15 pessoas, incluindo uma adolescente de apenas 14 anos, foram libertadas de escravidão contemporânea de duas oficinas ? uma localizada no Centro da capital paulista e outra na Zona Norte. Para sair da oficina que também era moradia, era preciso pedir autorização

Os expedientes foram emitidos após as inspeções realizadas em duas oficinas que fabricam roupa para a empresa AHA, que fornece 90% de sua produção à empresa espanhola. Autoridades brasileiras identificaram nesses ateliês, que também serviam de moradia, ao menos 15 costureiras, entre elas uma adolescente, que trabalham em condições precárias, com jornadas superiores a 12 horas e recebiam salários entre R$ 246 e R$ 458.

"Esse caso representa uma grave infração ao Código de Conduta para Fabricantes e oficinas externas da Inditex, que esse fabricante havia assumido contratualmente", afirmou a multinacional têxtil, que lembrou que o código estipula a máxima proteção aos direitos dos trabalhadores. 

O grupo Inditex, proprietário de marcas como Zara, Massimo Dutti e Pull & Bear, tem presença em 78 mercados de cinco continentes, com mais de 5,2 mil lojas. No ano passado, foram abertas as primeiras lojas do grupo na Bulgária, Índia e Cazaquistão, e em 2011 a Inditex entrou na Austrália. A previsão é que antes do final do ano, a multinacional estabelecida na região espanhola da Galícia (norte) entre na África do Sul, Taiwan e Peru.

Ministério do Trabalho fecha oficinas fornecedoras da grife Zara

No Brasil, são cerca de 50 fornecedores estáveis que somam mais de 7.000 empregos e, conforme a companhia, seu sistema de auditoria social permite assegurar que as condições de trabalho na cadeia de produção tenham "um nível geral ótimo". O grupo espanhol agradeceu a atuação do MTE e sua disponibilidade em colaborar na promoção de melhores condições para a indústria têxtil do país.

Em 21 de junho, Inditex se transformou no primeiro grupo têxtil do mundo depois da capitalização na bolsa, ao alcançar os US$ 38,5 bilhões, superando o grupo sueco H&M.
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