Moda

Estilo cigano marca abertura da Semana da Moda de Nova York

Rafael Cañas Nova York

A marca BCBGMaxAzria abriu nesta quinta-feira a Semana da Moda de Nova York, na qual apresentou uma proposta para a temporada outono-inverno que interpreta e adapta à vida urbana motivos geométricos de Istambul e o estilo dos ciganos do sul e do leste da Europa.

O franco-americano Max Azria, e sua diretora criativa e esposa, Lubov, mostraram uma coleção que se inspira também no artista contemporâneo Phil Frost e sua técnica de superposição de camadas de diversas texturas.

Lubov Azria afirmou à Agência Efe antes do desfile a importância especial que representa abrir, mais uma vez, este importante evento de Nova York: "Você se sente um pouco responsável", comentou.

"No mundo da moda é estupendo ser o primeiro, mas não tanto. Você consegue deixar as pessoas excitadas na hora, mas depois de dois dias se esqueceram com todos os desfiles que vêm depois", acrescentou entre risos.

Entre as novidades apresentadas pela grife se destacavam calças e vestidos muito longos de tecidos leves, principalmente seda e crepe, com estampas geométricas inspiradas nos motivos decorativos da arquitetura de Istambul.

Também havia conjuntos de top e calças ou saia em couro liso ou perfurado. E tudo em linhas amplas e confortáveis.

O ponto alto chegou com a superposição de vestidos longos sobre as calças, assim como com casacos de lã de corte clássico ou modernas parcas de couro e pele, junto com botas muito altas até metade da coxa.

Gorrinhos de caxemira completavam o conjunto dando, além disso, um toque juvenil.

Quanto às cores, predominaram o preto - só ou combinado com branco e osso - assim como cinza, porto ou azul marinho.

Nascida na Ucrânia, mas residente nos Estados Unidos há mais de 30 anos, Lubov Azria explicou que a estética cigana do sul e leste da Europa tem "muito estilo" e "é muito do que há agora na rua", com a superposição de camadas de diferentes peças.

"No inverno é interessante pôr várias camadas, fazer algo diferente, criar texturas e estados de ânimo", comentou, antes de explicar que a obra de Frost, de quem se declara fã, se acrescenta a esta ideia, com a aplicação de camadas sobrepostas de texturas diferentes. "É mágico", ressaltou.

Lubov garantiu que não foi difícil preparar duas coleções diferentes duas vezes ao ano (no sábado apresentam outra com o rótulo "Hervé Leger by Max Azria), já que pode "encontrar algo novo cada hora".

No entanto, reconhece que "a parte difícil é fazer com que a equipe compartilhe essa visão para levá-la adiante", em um mundo como o da moda que se baseia em uma contínua mudança.

Outras apresentações destacadas da manhã foram Nicholas K e Todd Snyder, enquanto a noite será encerrada com o retorno de Kenneth Cole, que não desfila na Semana da Moda de Nova York desde 2006.

A grife Candeia, da estilista uruguaia Gabriela Perezutti, e que tradicionalmente inclui elementos étnicos em suas coleções, apresentou uma proposta baseada no poncho pampa, a peça preferida de seu pai, mas sem cair demais no estilo gaúcho.

Também desfila hoje o peruano Sergio Dávila, que mostrará uma coleção inspirada nas cidades antigas do continente americano e seus personagens históricos, embora com toques futuristas, tudo isso em colaboração com o artista peruano Álvaro Feliú.

A Semana da Moda de Nova York recebe entre hoje e quinta-feira mais de 94 desfiles na passarela oficial e outros mais no circuito paralelo de hotéis, tendas, lojas e até estúdios de moda, com uma grande presença de estilistas latino-americanos.

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