Moda

Metrópoles, estilo inglês e selva tomam a passarela de Milão

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A coleção da Roccobarocco se caracterizou pelo uso frequente do cinza, como no look desfilado pela brasileira Daiane Conterato (esq.) imagem: Getty Images

De Roma

As grifes italianas Moschino, Etro e Roccobarocco levaram para a passarela nesta sexta-feira (22) tartans, florestas e o cinza do concreto em coleções que continuam se inspirando no guarda-roupa masculino na terceira jornada da semana da moda de Milão, que reuniu ares nova-iorquinos, ingleses e selvagens.

A encarregada de abrir a passarela neste terceiro dia de desfiles em Milão foi a mítica casa Moschino, que apresentou dois tipos de mulher: por um lado, inspirada no classicismo britânico, com ar campestre de amazona, e por outro, uma mulher urbana e com tom futurista.

Cada passo das modelos de rosto infantil e com tranças desconstruídas de Moschino foram uma viagem ao campo inglês, a Gales e à Escócia. Sobre o branco da passarela se destacaram os tons quentes do tartan que utilizoado em todos os seus croquis, das peças de roupa até o objeto de desejo da coleção: a gravata borboleta.

Uma mulher barroca, com uma forte tendência colegial, saias acima do joelho, saltos plataforma, casacos de corte definido e a presença de escudos e coroas imperiais bordadas em fio de ouro sobre o tartan das peças.


A segunda mulher que propõe a casa Moschino segue a tônica geral desta semana de moda de Milão, muito influenciada pelo guarda-roupa masculino e pelo fraque, acompanhado o tempo todo por gravatas borboleta e coletes.

Uma mulher mais moderna, vestida com trajes de jaqueta de corte muito linear, que apareceu sobre a passarela como a antítese da criação inglesa e amazona que a marca propôs em um primeiro momento.

Coroas, escudos, estampa florida de padrão real e, novamente, tartan, foram os autênticos protagonistas da linha de traje de jaqueta que Moschino apresentou hoje na passarela de Milão.

Radicalmente diferente foi a coleção da milanesa Etro, que propôs uma mulher muito inspirada pelos detalhes orgânicos e vegetais, vestida com padronagens muito trabalhadas e tonalidades muito lavadas. Como uma selva em que não chove há vários dias ou um jardim em um dia sem sol, o guarda-roupa da Etro fica entre a alegria e a nostalgia, entre a iminência de um futuro próximo e o resíduo de um passado saudoso.

Longas silhuetas cobertas por seda e cetim, em tons de verde desbotados e vinho, com imagens dispostas de forma aleatória, assim como a vegetação no solo de uma floresta. Dispersa, mas ordenadamente. Motivos florais, grades de jardim e plantas estiveram muito presentes nos longos vestidos que a casa de Gerolamo Etro propôs para o próximo outono.

Por último, a Roccobarocco mudou o rumo da viagem e foi para Nova York, Paris, Hong Kong, Moscou e qualquer uma das grandes metrópoles do planeta, qualquer selva de pedra onde as pessoas se disfarçam de anônimas entre a multidão. A proposta da grife romana não é uma mulher simples, mas discreta, urbana e muito sofisticada.

A coleção se caracterizou pelo uso frequente do cinza, quebrado pela aparição repentina de detalhes em em azul elétrico, e pelo traje clássico de jaqueta com saia lápis de cetim, acinzentado e muito ajustada na cintura que deixou clara a aposta da Roccobarocco nas curvas femininas.

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