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Marc Jacobs propõe primavera informal em desfile de marca mais barata

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Uma das marcas mais esperadas na semana de moda de Nova York é a Marc by Marc Jacobs, segunda marca do estilista imagem: Getty Images

Mateo Sancho Cardiel De Nova York

O estilista norte-americano Marc Jacobs brincou com o conceito de primavera e apostou em uma temporada folgada, informal e de cores apagadas que, apesar dos tons suaves, destacou-se nesta terça-feira (10) na semana de moda de Nova York, em meio à decepção com Vera Wang e Badgley Mischka.

Com desenhos iniciais que repetiam vagamente a mesma temática cinética apresentada ontem por Carolina Herrera, Marc Jacobs não insistiu muito nessa inspiração e passou rapidamente às estampas de borboletas vestidas com cores como rosa pálido e até preto na apresentação da temporada primavera-verão 2014 de sua marca mais acessível, Marc by Marc Jacobs.

Enquanto os blazers se despedem da modelagem mais justa e se aproximam da silhueta "oversize", eles apostam no estilo mais sisudo por excelência: a risca-de-giz que, como é típico de Jacobs, desafia os protocolos e perde conscientemente sua sobriedade.

No entanto, quando se volta ao "high school", o estilista adiciona luxo, com sedas brilhantes e padronagens mais próximas do traje de noite e não hesita em incluir o outonal marrom nas criações.

Considerado um dos gênios da moda atual, Marc Jacobs mais uma vez borrou as linhas que separam categorias. Seus homens levam bolsas e cores femininas, os casacos se fundem com pijamas. Ele também não teme que, ao cair da noite, sua inspiração seja algo tão óbvio como as estrelas e aplicações do prata sobre o preto e vice-versa.

Sem se preocupar com coerência, Jacobs introduziu sem motivo aparente a fantasia de lantejoulas cor de água marinha, elementos estelares e cores "candy" de maneira consecutiva em um fragmento da coleção. E, em conjunto, seus desenhos parecem destinados a influir na moda que será vista na rua em poucos meses.

Na coleção da Louis Vuitton, as cores perderam a vivacidade, os tailleurs soaram folgados e os modelos mostraram pouca pele durante o longo desfile.

A norte-americana de ascendência asiática Vera Wang decepcionou. Conhecida como a rainha dos vestidos de noiva, Vera apresentou uma coleção em que faltou coragem, permeada de transparências e tecidos fluidos, apesar de ser atravessada por elementos mais agressivos como as faixas na cabeça.

Com Anne Wintour na primeira fila, a passarela de Vera Wang começou negra e anoiteceu branca. No caminho, brincou com quase toda a paleta de cores, essencialmente puras que mudavam de tom à medida que se transpassavam nos jogos de recortes protagonizado pelas peças.

Sua primavera se deu pelas costas dos vestidos, onde nascem flores, ou na união do negro e o amarelo, as cores da abelha.

O umbigo de fora em peças "cropped" indica a temperatura do verão, confirmada nos tecidos vaporoso e de caimento suave. Foi um desfile sofisticado, às vezes entediante, com excepcionais concessões aos jogos de azul klein.

Já o duo Badgley Mischka (formado Mark Badgley e James Mischka em 1988) apresentou uma coleção que deveu a Audrey Hepburn e Givenchy, em um dia tomado pelas listras marmorizadas ou horizontais, quase sempre em branco e negro, enquanto a noite, que em sua escala de tempo dura mais, se encheu de vestidos que buscavam o tapete vermelho.

Apesar de James Mischka ter começado como biomédico, sua pouca pesquisa refletiu hoje na cartela de cores (basicamente navy e branca), mas mostrou caimentos elegantes, tecidos como organzas e veludos, e os detalhes, que protagonizaram um desfile tão correto como esquecível, tão infalível como pouco transgressor.

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