Moda

Fashion Rio vai ter cota para modelos negros

Rio de Janeiro, 5 nov (EFE).- A empresa organizadora do Fashion Rio assinou nesta terça-feira um compromisso de recomendação aos estilistas que incluam 10% de modelos negros e indígenas em seus desfiles, que começam amanhã.

 
O acordo foi assinado hoje entre representantes de Luminosidade, que organiza o Fashion Rio e São Paulo Fashion Week, com a Defensoria Pública do Rio de Janeiro e a ONG brasileira Educafro, que defende os direitos dos negros.
 
O compromisso de promover a cota racial é voluntário, mas a Defensoria Pública anunciou que vigiará seu cumprimento na edição da Fashion Rio, que vai até domingo.
 
O acordo é similar ao que se aplicou em São Paulo entre 2009 e 2012, que não foi renovado pela Luminosidade, o que gerou protestos de associações de negros.
 
Os estilistas que não aplicarem a cota racial "estarão submissas a medidas legais", de acordo com um comunicado da Defensoria Pública. A empresa organizadora enviará ao órgão uma lista com o nome e a raça dos modelos que participem de todos os desfiles até 30 dias úteis depois do evento.
 
A ONG Educafro se comprometeu a não organizar protestos na entrada dos desfiles, frequentes em anos anteriores.
 
Uma porta-voz da Educafro, a coordenadora pedagógica Joana Raphael, disse à agência Efe que o acordo foi "razoável" dada a proximidade da Semana da Moda, mas considerou que a cota de 10 % é "muito pouco" considerando o grande percentual de negros na sociedade brasileira.
 
"Em 2014 queremos muito mais que isso. Pediremos um mínimo de 20% como novo ponto de partida. Se 51% da população brasileira é negra, queremos caminhar em direção a igualdade", afirmou Joana.
 
A ativista explicou que a ausência de negros nos desfiles mostra que "a cultura da escravidão se mantém" no Brasil pela falta de educação.
 
"Foi introduzido na mente do brasileiro que só é bom o que é branco, europeu, americano.", comentou a porta-voz de Educafro. 
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