Moda

Celebridades repercutem pesquisa no Fashion Rio: existe roupa vulgar?

Rio de Janeiro, 12 abr (EFE) - Na edição de verão do Fashion Rio, famosa pela moda praia e pela sensualidade, que terminou nesta sexta-feira no Rio de Janeiro, a Agência Efe percorreu corredores e bastidores para descobrir o que fashionistas e convidados pensam sobre a questão: "existe roupa vulgar ou apenas comprimentos e cortes variados?".

Em março, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou que 65% dos brasileiros acreditavam que "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas". Foi um erro grosseiro: na verdade, eram 26%. Entrevistados pela Efe, fashionistas, estilistas e famosos concordaram, no entanto, que o número ainda assim é alarmante.

Para alguns estilistas, como Roberta Ribeiro, da Maria Filó, uma roupa pode ser, em si, vulgar. À Efe, Roberta comentou o estudo: "Acho que esse resultado reflete a falta de cultura. As pessoas deveriam se preocupar em ter mais cultura em vez de julgar os outros".

Questionada se há peças vulgares, no entanto, confirmou: "Claro que há. Mas isso não justifica absolutamente a violência".

AgNews
Valesca Popozuda imagem: AgNews
Em meio ao empurra-empurra dos fãs arrebatados pelo sucesso "Beijinho no ombro", que pediam desesperadamente por selfies ao seu lado, e causando tumulto bem maior do que em sua última aparição no evento, a funkeira carioca Valesca Popozuda falou à Efe sem rodeios:

"Não existe roupa vulgar. É o que eu sempre digo: a mulher que usa burca sofre violência (sexual); a criança, inocente, não induz a nada e sofre violência. Então a roupa não tem nada a ver com isso, não induz a nada".

Para a jornalista de moda Iesa Rodrigues, o resultado da pesquisa é "até compreensível" no contexto da cultura brasileira: "Este ainda é um país muito machista. Quando uma mulher aparece no local de trabalho ou num lugar que não é uma balada noturna, com uma roupa super decotada ou curta, ela fatalmente vai atrair esse tipo de olhar masculino".

A especialista acrescentou: "Agora, o cara pode até ter pensamentos (eróticos), mas não precisa pôr em prática, claro".

Sobre vulgaridade, Iesa opinou: "De roupa especificamente acho que não, existe vulgaridade de estilo, talvez da pessoa. Às vezes se tem uma atitude vulgar, mais do que a roupa. Mas é uma coisa muito ambígua".

Caio Duran e Thiago Duran /AgNews
Mariana Weickert imagem: Caio Duran e Thiago Duran /AgNews
Na opinião da modelo e apresentadora Mariana Weickert, que considerou o resultado da pesquisa "favorável, apesar de alarmante, em comparação ao número absurdo que o Ipea havia divulgado", a vulgaridade existe, mas é uma escolha como qualquer outra.

"Cada um tem um estilo: mais elegante, mais sofisticado, mais sexy ou mais vulgar. Mas se for o que a pessoa quer, ser vulgar, isso é livre, que seja!" opinou.

Para o ator e apresentador Felipe Solari, ver roupas como um convite tem relação direta com a insegurança masculina: "Se eu vejo uma mulher com uma roupa um pouco mais ousada, não sinto vontade de estuprá-la, mas eu me garanto. Tem gente que não se garante e esses acabam vendo isso (roupas curtas) como provocação".

Solari comparou o Brasil com outros lugares: "O machismo impera no país em que a gente vive. Na Europa, a menina fica de topless na praia e não é estuprada por isso, nada acontece. É uma questão cultural. E é muito louco, porque a gente está no país do Carnaval, da 'pouca-roupa'".

"Existe muita mulher que se veste de maneira vulgar, mas o vulgar que eu digo é uma mistura que eu considero brega. Em relação à roupa sexy, eu não vejo isso como vulgaridade, vejo como um nicho da sociedade: tem meninas que gostam de usar pouca roupa", analisou o ator.

Divulgação/TV Globo
Klebber Toledo imagem: Divulgação/TV Globo
Passeando pelo evento, a bailarina Ana Botafogo lembrou a questão do clima: "No calor que a gente tem no Brasil, vamos ter que andar cobertas porque alguns não sabem se controlar? A mulher tem que usar o que quiser e as pessoas têm que saber respeitar", sentenciou.

O ator Klebber Toledo foi ainda mais radical: "Na verdade não importa se existe roupa vulgar. Tanto para homem como para mulher, a roupa não pode dizer o que uma pessoa pode ou não fazer e jamais pode ser álibi para uma agressão física, ofensa verbal ou algo parecido. Isso é abominável". 

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