Moda

Pré-estreia de "Top Models" abre SPFW com histórias curiosas sobre modelos

JULIANA GUARANY
Colaboração para o UOL

Uma agitada premiére serviu de abertura para a São Paulo Fashion Week nesta segunda-feira (15/6) no Shopping Iguatemi. O filme "Top Models - Um Conto de Fadas Brasileiro", documentário que conta a história de 23 modelos do país, foi apresentado simultaneamente nas seis salas de cinema disponíveis.

  • As curvas saudáveis de Gisele Bündchen (esq.) abriram caminho para várias tops brasileiras, como a atual número 1 do mundo, Raquel Zimmermann (dir.)

Paulo Borges, organizador da SPFW, fez o papel de mestre de cerimônias, indo de sala em sala com algumas das modelos que deram seu depoimento ao diretor Richard Luiz, que também estava presente. "Meu intuito foi fazer um filme leve, com um tom comercial. A moda tem um alcance tremendo e a vida das meninas desperta curiosidade, mas há muito preconceito em relação ao estilo de vida delas, algo que eu tentei diminuir", disse Richard Luiz.

Além de Paulo Borges e dos organizadores do SPFW, o evento teve a presença da ex-modelo e repórter do GNT Fashion, Mariana Weickert, da socialite Bethy Lagardère e da narradora do documentário, a atriz Alice Braga.

Uma das personagens do filme era Camila Finn, de 17 anos. Apesar da pouca idade, a modelo já tem quatro anos de carreira iniciados quando ela venceu um concurso internacional. "Na época, eu tinha começado há apenas seis meses, não fazia ideia de como seria", disse ela sobre o depoimento que deu ao documentário aos 13 anos, logo depois de vencer o concurso.

O filme, de 1h30 de duração, condensou 400 horas de material gravado, entre depoimentos, desfiles, filmes comerciais e entrevistas com ícones da moda mundial. São 23 modelos contando as histórias do começo da carreira, das dificuldades de se destacar no ramo e também do que pretendem fazer quando saírem da área.

As histórias são curiosas até pela semelhança entre si. A maioria das modelos entrevistadas, como a própria Gisele Bündchen, Marcele Bittar, Fernanda Tavares ou Shirley Mallmann, vieram de cidades pequenas e caíram de pára-quedas em São Paulo, ainda adolescentes, para tentarem engrenar a carreira.

Uma das coisas mais interessantes do documentário está na simplicidade das meninas e, principalmente, na descoberta dos diferentes sotaques de cada uma. Por ser uma profissão praticamente "muda", poucas vezes se vê como cada uma tem um jeito peculiar de falar, ou até uma voz mais grossa - ou mais fina - do que se poderia imaginar.

Raquel Zimmermann, considerada a número 1 do mundo pelo site Models.com, contou que na adolescência era "toda Nirvana", com um look muito masculino. Ela não acreditava que poderia se tornar modelo, "mas com maquiagem, cabelo e um vestidão...", disse ela, mostrando como a produção é fundamental para compor a personagem que vai desfilar.

A porção adolescente de cada uma se revelou ressentida com a profissão. Tanto Marcele Bittar como Isabeli Fontana declararam que não tiveram adolescência. Mesmo assim, elas e quase todas as outras compartilharam com a maioria das garotas de sua idade o sonho de ser capa da revista Capricho, bíblia das adolescentes. A diferença delas para as outras tantas garotas é que elas conseguiram.

  • Montagem/UOL

    Isabeli Fontana e Caroline Ribeiro: gravidez não atrapalhou o sucesso na profissão

Caroline Ribeiro, que já foi sinônimo de Gucci, diz que ser uma menina comum, de olhos e cabelos castanhos, é sempre mais difícil do que ser branquinha, de olhos azuis. "Se você é morena, negra ou japonesa precisa partir para um look mais exótico". Mas segundo ela, a concorrência entre as "branquinhas" também acaba sendo maior. "Isso equilibra um pouco o jogo".

A rispidez do mundo da moda foi outro tópico do filme. Bethy Lagardère, ex-modelo, disse que o mundo da moda é muito perverso com as meninas e o olhar de hoje é ainda mais duro do que no passado. "De 100 meninas que entram, o mundo da moda vai destruir os sonhos de 99", contou. Paulo Borges comentou da "seleção natural" que existe no mundo da moda. "Uma menina entra com 13 anos, ainda sem desenvolver seu corpo, e aos 16 está fora dos padrões e será excluída. Mas ela não que isso então faz dietas malucas para não sair do mundo da moda", diz ele.

Nos depoimentos, as modelos reclamaram muito do tratamento que recebem nos castings, os testes de seleção feitos pelos organizadores de desfiles e campanhas publicitárias. "Falam na tua cara que você não serve. Para uma adolescente, é terrível", disse Luciana Curtis.

A gravidez foi tema abordado por Isabeli Fontana, que teve um filho em 2004, no auge da carreira. "Todo mundo estava com medo do que poderia acontecer, menos eu. Não tive medo em momento algum, pelo contrário", disse. Caroline Ribeiro também ficou grávida na mesma época que Isabeli. As duas chegaram a desfilar com o barrigão. A top Adriana Lima, que hoje está casada com o jogador de basquete sérvio Marko Jaric e esperando seu primeiro filho, aparece com certo medo do futuro: "De verdade, não sei o que vou fazer quando deixar de ser jovem e ter que sair desta profissão", disse.

Gisele Bündchen é saudada por todas como aquela que abriu caminho para o reinado das brasileiras. O look saudável, colocado pela editora da Vogue América, Anna Wintour, como a cara de uma geração, fez com que todas as brasileiras fossem vistas com outros olhos pelo mundo. "Você via ao país e parece que lá só tem modelo, são deslumbrantes", exagera Jean Paul Gaultier.

O reinado das brasileiras parece ser um pouco ameaçado por beldades do leste europeu, mas as modelos não se preocupam com isso. "As brasileiras são, sem dúvida, as melhores do mundo", diz a número 1 Raquel Zimmermann. Os diferentes tipos e o "brilho" natural das brasileiras são algumas das razões citadas pelas modelos para mostrar porque o Brasil é tão bem cotado no mundo da moda.

Por fim, o filme busca saber o que elas pretendem fazer depois de se aposentarem das passarelas. A resposta da grande maioria é a carreira de atriz: "Contracenar com Orlando Bloom em um primeiro papel não seria nada mal", conta a top Raica Oliveira.

Letícia Birkheuer, Jeisa Chiminazzo, Carol Trentini, Ana Beatriz Barros, Ana Cláudia Michels e Mariana Weickert são mais algumas das modelos que deixam um pouco da história de suas vidas registrada no documentário.

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