Moda

Herchcovitch casa virilidade do futebol americano com delicadeza feminina para o verão

CAROLINA VASONE
Do prédio da Bienal

Grandes ombros, cores fortes. Estruturas de plástico por baixo dos tops davam às modelos franzinas uma força e dimensão que contrastavam com a fragilidade real dos corpos e a textura dos materiais usados nas peças. Para compor sua proposta de verão, o estilista Alexandre Herchcovitch resolveu casar o que parecia não render nem namoro: a delicadeza feminina com a virilidade quase bruta do futebol americano.

De maneira inteligente e pouco usual, a coleção começou singela, em cinza claro prateado e rosa bebê queimado. Os zíperes dourados quebravam um pouco da delicadeza, mas ainda de um jeito pouco agressivo. Os recortes, ora com aplicação de outros tecidos, ora do mesmo, lembravam os dos uniformes de futebol americano, assim como as calças justas e curtas, com volumes nos joelhos fazendo alusão às joelheiras. Quase imperceptíveis no início, estas menções esportivas ganharam mais força assim como as peças mais cor, com pink, verde, azul. O tecido ganhou textura de nylon em vestidos franzidos e de um emborrachado bem fino em vestidos-camiseta ou com recorte nadador, cortados a laser e com estampas que pareciam pintadas à mão.

As mangas, que desde o primeiro momento são protagonistas, dão volume à parte de cima em contraponto às partes de baixo esguias. Vão crescendo, crescendo, até quase engolirem os ombros das modelos, numa parte final arredondada mais comum em termos de imagem de moda. Nas partes do meio da apresentação, porém, grandes momentos como o casaco usado por Viviane Orth, a cartela de cores primeiro delicada depois de tons vibrantes mas nunca áridos ou duros demais e as estampas, com destaque para os quadriculados maiores no fundo branco, em tons de azul, pink, vermelho, verde e amarelo, às vezes com bordados por cima. Nas mãos, uma graça: bolsas-carteira em formato de bola de futebol americano.

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