Moda

Gêmeas abre Casa de Criadores com desfile lúdico no Parque da Luz

VITOR ANGELO

Colaboração para o UOL

Não existia data ou lugar mais apropriado para o desfile da coleção Inverno 2010 da marca Gêmeas: uma tarde de domingo, este (22), no meio do Parque da Luz, em São Paulo. Afinal, não existe algo mais lúdico no imaginário popular do que um domingo no parque. E lúdico é a palavra-chave para entender o encantador desfile da marca.

  • Marcelo Soubhia/AgFotosite/UOL

    As Gêmeas apresentaram coleção inspirada pela década de 1920


Entre os jogos e o sonho, podemos abrir uma porta para a infância da grife e perceber o quanto elas dialogam - faz tempo - com a estética dos anos 1920 e como os anos loucos e toda liberação que a mulher ganhou naquele período é fundamental na construção da marca das irmãs Carol e Isadora Krieger.

As formas soltas, com a silhueta mais fluida e a cintura na altura do quadril - estilo anos 1920 -, dominaram os looks da coleção, assim como os belos acessórios (brincos) criados por Christopher, que lembram lustres inspirados no art nouveau - movimento estético que durou do final do século 19 até as duas primeiras décadas do século 20. Também de caráter retrô são os bordados aplicados nos primeiros looks em sarja, lamê, tule, lã e lã canelada, nas cores preto, off-white, azul, creme e doce-de-leite. Mas engana-se quem acreditou que, com os bordados de coelhos, casas e gatos ou o body ursos, o desfile rumava para um lado adocicado.

A marca Gêmeas sempre construiu roupas para mulheres femininas, porém fortes. Por isso, na segunda parte do desfile, ressalta-se a parte geométrica que até então aparecia apenas como pano de fundo para essa certa docilidade infantil dos bordados. Nela, um elemento importante domina a cena, a camurça, exatamente o material que é feito polindo a pele interna de porcos, cabras e bezerros. É ela quem ajuda a trazer para primeiro plano as formas geométricas e torna mais claro o trabalho das estilistas na composição de ombros mais amplos e fortes, porém sem a agressividade do "power dressing".

Para dar mais força a essa imagem, o stylist David Pollack escolheu a maquiagem como foco: ressaltou tanto a boca, quanto os olhos, o que a princípio é considerado um erro, mas funcionou neste terreno lúdico.

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