Moda

Walério Araújo cria Dorothy fetichista para o Inverno 2010

VITOR ANGELO

Colaboração para o UOL

Walério Araújo provocou estranhamento ao anunciar que sua inspiração para o Inverno 2010 partiu do filme "Mágico de Oz", clássico de 1939 com Judy Garland. Como a alta voltagem sexual das mulheres do estilista caberiam em uma história tão puritana? Escapando da armadilha de fazer fantasias, já que sua moda é bem carnavalizada - e essa poderia ser uma solução fácil, diga-se -, o estilista encontrou o eixo certo para construir sua coleção apresentada em desfile na noite desta segunda-feira (23), no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo: a mulher como poderosa condutora de uma história.

  • Marcelo Soubhia/AgFotosite/UOL

    Peças do desfile de Walério Araújo deixavam as costas à mostra em alguns modelos


Do mesmo modo que Dorothy, a personagem central de "O Mágico de Oz", comanda e manda em todos os personagens masculinos, Walério abre o desfile com uma dominatrix em vestido de couro acolchoado preto, com muito volume, sobreposto sobre a fragilidade do tule que aparece apenas na barra. Atrás dela, literalmente, homens todos de preto com modelagens justas, vestindo casacos e casacas sóbrios e quepes. Estava dada a largada para um tema que o estilista domina muito bem: o fetiche.

A silhueta de grande parte das peças é justíssima, e só ganha volume quando é interesse do estilista dar alguma dramaticidade à cena. As amarrações, que nos vestidos chegam até os sapatos, dão o toque perverso seja no tule, no cetim, na camurça, no veludo ou no crochê.

Apesar do preto dominar a cena, a cartela tem cores tanto opacas, quanto nude ou mesmo mais vivas. É no sensacional vestido de babados na altura do joelho, com as cores do arco-íris, que Araújo demonstra que sabe o que pode estar "over the rainbow" ("para lá do arco-íris", em inglês). A peça deixa aparecer as costas desnudas da modelo, em um sinal de perversidade que surge também em outros bons looks do desfile, como no look final, de uma Dorothy que exala sensualidade.

Da história que tem leão, espantalho e homem de lata, o estilista aproveita para brincar com plumas, metais, pedrarias e peles que aparecem aplicadas às roupas. Mas nada de maneira literal, assim como seu fetiche que se deixa escapar com um pitada de romantismo, em corações ora aplicados, ora vazados nas roupas ao longo de toda a coleção.

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