Moda

Na Galeria do Rock, Cavalera mostra o valor da atitude na moda

CAROLINA VASONE

Editora de UOL Estilo

Galeria do Rock, onze e pouco da manhã. O endereço no centro de São Paulo, num final de manhã de domingo, exibia as lojas fechadas e o espírito dos roqueiros de carteirinha, amantes do estilo da música e da roupa, das camisetas de banda às calças justas, dos cintos de tacha ao look “preto total”. Neste cenário tão legítimo, a Cavalera abriu o São Paulo Fashion Week para o Inverno 2010 com Igor Cavalera na bateria. E mostrou que ter atitude às vezes vale mais do que mil invenções de moda.

  • Alexandre Schneider/ UOL

    Modelos vestem looks da Cavalera em desfile que abriu o SPFW, na Galeria do Rock

No caso da grife, com foco em jeanswear e moda para jovens e muitos, este é um bom caminho. Não que falte criatividade ao talentoso Igor de Barros (que também assina V.Rom) e a Fabiano Grassi, responsáveis pelo estilo da marca. Com foco bem comercial, porém, a Cavalera pede proposta bem digerida e acessível a garotos e garotas de 18 a 25 anos, que só querem ficar bonitos e “cool”. Mas com dignidade fashion, é o que sempre se espera.

 

Nesta linha, a coleção masculina merece destaque em relação à feminina. Bons paletós de lã e tecido de alfaiataria, jaquetas em moletom bem sacadas como a com estampa de gavião e a aposta acertada do look combinado, com mesma estampa e tecido, tanto em bermuda e paletó como na calça justa e no colete feito de camisa sem manga, ambos em sarja dourada encerada. Na coleção feminina, vestidos curtos bordados e decotados e tops e vestidos de malha com poás de tachinha dourada repetiram peças que já podem ser encontradas nas lojas há algumas estações, não trazendo frescor para as moças renovarem o guarda-roupa. Entre as propostas bem-sucedidas para elas, microshorts dourado usado com meia fosca preta, quase uma legging, saia de cintura alta de lã. Nada exatamente novo, mas com alguma interpretação diferente.

 

Tanto na coleção masculina quanto na feminina, muito preto, lavagem acinzentada de jeans e cintos que recortavam o final do colete, pontudo, eram usados sobre calças, bermudas e saias. Em alguns momentos parecia mesmo a ponta de um colete sob uma jaqueta ou blusa. Há quem tenha adorado o artifício que, em alguns momentos, lembrava uma peça de roupa amputada.


 

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