Moda

Mundo da moda ataca Anna Wintour pouco antes do desfile da Gucci

JULIANA LOPES

Colaboração para o UOL, de Milão

Menos de uma hora antes de começar o desfile da Gucci, um dos principais deste sábado (27) e de toda a semana de moda de Milão, um exército de moças vestidas “a la” Anna Wintour – a todo-poderosa da “Vogue” América – chamou a atenção de quem estava chegando ao local da apresentação, na Piazza Oberdan.

  • Juliana Lopes/UOL

    Modelos de peruca loira e visual à la Anna Wintour chamaram a atenção antes do desfile da Gucci, em Milão. Manifestantes não conversaram com ninguém.

De peruca loira, que imitava o corte chanel com franjinha da editora-chefe da revista norte-americana, jaqueta preta, calça preta e óculos escuros, as manifestantes não disseram nada e não divulgaram para quem estavam trabalhando. O grupo fez pose para fotos, sempre com uma postura bastante arrogante. Repórteres de diversas partes do mundo tentaram se comunicar com as moças, que não disseram uma palavra a ninguém. E ficou a pergunta no ar: “Quem será que organizou a manifestação?”

Na camiseta, passavam uma mensagem: “Eu vou ficar apenas três dias”, escrita em inglês. A frase havia sido dita pela própria Anna para estilistas de Milão, para quem ela teria telefonado pessoalmente para dar o recado. A editora teria pedido, então, para que os estilistas mudassem a data de seus desfiles para que ela pudesse comparecer, já que tinha outros compromissos como o Oscar e a semana de moda de Paris, que começa logo após a de Milão.

O resultado: mesmo com as datas da semana de moda já fechadas, estilistas de grande porte pediram para que a Camera de Moda Italiana concentrasse todos os desfiles no final de semana. Algumas grifes, como a Prada, não sucumbiram ao pedido de Anna, mas, no geral, quase todas apresentações mais importantes ficaram concentradas no calendário de sexta, sábado e domingo e, com isso, a semana italiana perdeu dois dias de programação. Ou seja, a Camera de Moda Italiana, quem organiza o evento, sentiu-se pressionada pelos grandes nomes de sua moda, como Gucci e Armani, e acabou acatando a decisão. Mario Boselli, presidente da instituição, disse à imprensa que “uma mulher pode ficar quanto tempo quiser, mas se for para nos pressionar, era melhor que tivesse ficado em casa”.

Fashionistas e jornalistas, principalmente italianos, comentavam na porta do desfile que “Anna Wintour detesta Milão” e que a editora “quer destruir a moda italiana e não tem respeito pelo ‘made in Italy’”.

As consequências concretas do encurtamento da semana de moda foram percebidas na sexta e no sábado, com atrasos de mais de uma hora, desfiles que acabaram acontecendo em horários coincidentes, modelos ainda mais esbaforidas do que o normal e um trânsito mais carregado nas principais ruas da capital italiana da moda. A história até virou piada, com o evento italiano sendo chamado, pelos corredores, de "Milano Fashion Weekend" (Fim de semana de moda de Milão). Uma prova concreta de que “a diaba”, de fato, tem poder.

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