Moda

Nem magras, nem gordas, dona de agência investe em modelos com "+" curvas

FERNANDA SCHIMIDT

Em São Paulo

Desde a polêmica que envolveu a magreza excessiva das modelos na temporada Inverno 2010/11, o mundo da moda viu-se em um novo debate: o mercado “plus size”. O tema ganhou força, no Brasil, com a inauguração do departamento “Ford+”, da agência Ford Models, há dois meses.

No entanto, não se engane. O “+” não se refere às modelos que possuem sobrepeso (veja tabela abaixo) – no mercado de moda nacional e internacional, o termo em inglês “plus size” começou a ser usado indevidamente para definir toda e qualquer modelo fora dos padrões magérrimos atuais. A diretora da agência no Brasil, Denise Céspedes, 45, esclarece: “plus size” são as modelos com manequim acima do 44. Seu objetivo é abrir caminho para as meninas que se encaixam no meio termo. “Tenho algumas modelos que são ‘plus size’, como a Fluvia Lacerda. Mas o foco são as com alguns centímetros a mais”, disse Denise em entrevista ao UOL Estilo.

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    Denise Céspedes, diretora da Ford Models Brasil, em foto de 2001

O departamento chegou ao Brasil dez anos após sua criação, na matriz da agência norte-americana, e conta atualmente com cinco modelos locais, entre elas Stephanie Medeiros, principal aposta entre as “+” e que se mudou para Nova York na semana passada atrás de mais trabalho. Desde o lançamento no país, Denise contou ter recebido mais de 500 fichas de meninas interessadas em fazer parte do novo time. Sua expectativa é reunir 20 brasileiras e 10 estrangeiras no elenco da Ford+ Brasil.

“Ainda estou passando um pente fino. Mas quero meninas lindas, com perfil de modelo: alta, com corpo proporcional e curvas”, disse a diretora. “A moda é feita para todo mundo, não para só um biótipo. Desempenhamos um papel muito importante para as adolescentes. É bom, para elas, pegar uma revista de moda e ver que também tem meninas com manequim acima do 38”, afirmou.

Apesar de apostar na pluralidade de tamanhos, Denise acredita que o veto a modelos fora do padrão atual continuará nas passarelas, por vontade dos estilistas. “Sempre foi desse jeito. Pode-se começar mudando o padrão das campanhas e, no futuro, quem sabe, isso chegará às passarelas”.

Padrão de modelo

 ManequimQuadril
Passarela36 e 38até 90 cm
"+"40 e 42a partir de 98 cm
"Plus size"44 a 48n/d

Para o São Paulo Fashion Week, por exemplo, as modelos representadas pelo departamento não foram escaladas para nenhum dos 39 desfiles da temporada. Segundo Denise, não houve tempo hábil desde sua inauguração para produzir o material de divulgação e enviá-lo para as marcas. De qualquer maneira, a publicação na imprensa de notícias sobre a investida da agência neste “novo” perfil de modelos não foi suficiente para despertar o interesse dos estilistas neste verão.

Denise é ex-modelo e lembra que no seu tempo de desfiles, na década de 80, o perfil era outro, mesmo com o 38 imperante. “Na minha época, o biotipo era diferente. Eu tinha o corpo torneado por ginástica, com 60 cm de cintura, 90 cm de busto e de quadril. Era a geração saúde” disse ela. Suas medidas eram dispostas em 1,74 m de altura e 56 kg. Outra diferença diz respeito à idade das modelos, que hoje começam a trabalhar precocemente, no início da adolescência. “Comecei aos 18 anos. Já era uma mulher”, comentou, referindo-se às formas físicas mais definidas que chegam com a maioridade.

O retorno ao perfil das supermodelos, marcado por ícones como Cindy Crawford, Naomi Campbell, Linda Evangelista e Christy Turlington, será gradual, aposta Denise. “Acredito que as pessoas vão acordar e investir neste equilíbrio, de colocar meninas de manequim 36, 38, 40 e 42 juntas na passarela. Mas é difícil prever quando isso vai acontecer”, disse.

As expectativas, no entanto, apontam para um sonho concretizado antes de 2015: “Não quero que minha filha, que hoje tem nove anos, se sinta excluída aos 13 por não usar manequim 38”.

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