Moda

SPFW se divide entre Paris Hilton, a "princesa devassa", e Herchcovitch abstrato

CAROLINA VASONE

Editora de UOL Estilo

  • Montagem - Alexandre Schneider/UOL

    Paris Hilton desfila para a Triton e Herchcovitch tem coleção com inspiração abstracionista no segundo dia de desfiles do SPFW Verão 2011 (10/06/2010)

Uma tela colorida nem sempre é sinônimo de felicidade. Assim se pode pensar da melancolia bonita (e às vezes angustiante) dos quadros de Mark Rothko, um dos expoentes do expressionismo abstrato e importante artista do século 20. Na sua coleção para o Verão 2011, Alexandre Herchcovitch mostrou como um vestido de tom vibrante pode ficar triste, ainda que bonito, com suas mangas numa versão bufante caída, pregas abrindo em leque puxando costas de vestidos também para baixo. Outros artistas inspiraram o estilista como o americano Barnett Newman (da mesma escola de Rothko) e representantes da “action painting“. Neste último caso, respingos na linha Pollock em versão aquarelada estamparam vestidos de uma maneira mais literal.


Se de um lado os fashionistas tiveram experiência artística intelectualizada com o desfile mais importante do segundo dia do São Paulo Fashion Week, também se amontoaram e se espremeram na mesma apresentação para ver Alexandre Borges, que participa do remake da novela “Ti Ti Ti”, sentar na primeira fila para dar pinta e fazer “laboratório” para interpretar o estilista Jacques Leclair. Nada, porém, que se comparasse aos gritos tietes dados pela platéia ao ver Paris Hilton entrar na passarela da Triton, que fechou a noite de desfiles nesta quinta (10).


Com uma ou outra pitada menos comportada, a moda da Triton para adolescentes e garotas em torno dos vinte (e bem poucos) anos construiu uma imagem romântica, de vestidos com babados ou godês, marcados na cintura. Estranha a escolha de Paris Hilton - a melhor garota-propaganda da cerveja Devassa – para representar a princesa que as meninas da Triton devem seguir como modelo.


Entre os outros desfiles, a Osklen, promessa do dia ao lado de Herchcovitch, não emocionou como em outras temporadas mas segue com sua proposta “cool” e muito elaborada, desta vez com vestidos em malha fina de algodão com franzidos, golas trabalhadas e texturas conseguidas a partir do trabalho com o próprio algodão e também com o tricô. Já a Ellus apresentou coleção simpática masculina, com boas peças, estampa floral havaiana, mas não foi tão feliz na feminina, com muitas propostas para um mesmo verão, sem coesão entre elas.
 

Nesta sexta (11) desfilam Cavalera (fora da Bienal, na Casa Panamericana, em comemoração aos 15 anos da grife), Maria Bonita, Wilson Ranieri, Movimento, Simone Nunes, Samuel Cirnansck e FH por Fause Haten.

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