Moda

Modelo austríaca diz que teve "sorte" por não ter ficado doente para ficar magra

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A modelo austríaca Iris Strubegger, em foto de Karl Lagerfeld, para o calendário Pirelli 2011 imagem: Divulgação

FERNANDA SCHIMIDT

Da Redação

“É difícil não tomar como algo pessoal”, disse a top austríaca Iris Strubegger sobre a pressão que o mundo da moda impõe sobre o corpo das modelos. “No começo, as pessoas falam que você não deve levar para o lado pessoal, mas o meu corpo também é uma parte de quem eu sou”, afirmou.

Iris é uma das modelos em ascensão no mercado, aposta de estilistas e editores. Foi escolhida por Karl Lagerfeld, diretor criativo da Chanel, para estampar o calendário Pirelli 2011 e foi capa da “Vogue” Paris em 2009. No ensaio para a revista, a então editora-chefe Carine Roitfeld sugeriu que o cabelo de Iris, que estava na altura do ombro, fosse cortado, bem curto. O look deu uma cara andrógina à modelo, graças ao rosto de traços bem marcados, e a lançou como nova estrela.

Nono lugar no ranking do site Models.com, a modelo hoje aos 26 anos já pode ser considerada "velha" para os padrões fashion. “Isso é bastante bizarro. É parte desse desejo dos estilistas de quererem sempre modelos muito magras. Quando você ainda não fez 20 anos, seu corpo é naturalmente menor, porque você ainda não é uma mulher”, disse.

Iris confessou que no início da carreira chegou a ser pressionada a perder peso e ouviu comentários de que não gostavam de seu corpo. “Tive alguns problemas, mas não cheguei a ficar doente, fui muito sortuda”, falou.

Atualmente a carreira da modelo está numa espécie de "segundo tempo". Ela foi descoberta por um olheiro em 2001, quando deixou a pequena Sankt Johann im Pongau, cidade na região montanhosa da Áustria na fronteira com a Alemanha, para fazer um intercâmbio de três meses em Nova York. Trabalhou por dois anos – com desfile para Calvin Klein e editorial para a “i-D” – e  resolveu parar, decisão incomum na carreira de uma modelo. Nesse intervalo, ela  estudou comunicação na universidade de Salzburg.

“Eu era muito nova, não compreendia direito a profissão e não conseguia lidar com as pressões”, disse ela. A volta aconteceu há quatro anos, quando achou que estava suficientemente madura e decidiu dar mais uma chance ao mercado.

Para ela, a mudança em relação ao padrão das modelos nas passarelas, com espaço para as chamadas “plus size” - em tese, aquelas "acima do peso"; na prática, as com manequim a partir do 42 - não é real. “Eles [a indústria] tentam mostrar na mídia que as coisas mudaram, que querem ‘modelos normais’, mas estão fingindo. Ainda querem as modelos magrinhas”, afirmou.

Escalada para um desfile atrás do outro nas últimas temporadas internacionais, Iris decidiu não participar dos atuais desfiles de inverno. Não desfilou em Nova York, Milão e não irá a Paris. Veio ao Brasil fotografar, no cenário bucólico de Campos do Jordão, uma campanha para a marca mineira Alphorria, com direção de Luis Fiod. “Quis tirar uma folga. Trabalhei tanto nos últimos três anos que optei por levar as coisas em uma marcha mais lenta nesta temporada”, disse. Para completar esta nova fase, menos estressante, deixou Nova York e voltou para seu país natal.

Quando conversou com o UOL Estilo, por telefone, a modelo havia acabado de saber do vídeo em que o estilista John Galliano, da Christian Dior, dizia “amar Hitler”. Iris, que esteve nos últimos dois desfiles da Dior e no da marca própria de Galliano no Inverno 2010, achou uma “loucura” o que aconteceu. A cidade de Iris foi sede de um campo de concentração nazista, que deteve cerca de 30 mil pessoas, em 1941. Segundo a modelo, essa proximidade geográfica com o nazismo não faz com que seu choque seja maior do que de qualquer outra pessoa. “Afeta todos da mesma maneira. É simplesmente horrível falar algo dessa natureza”.

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