Moda

Após 20 anos na Europa, estilista mineiro faz estreia no Brasil

Jarbas Oliveira/UOL
O estilista Delfrance Ribeiro posa antes de seu desfile no Dragão Fashion Brasil, que marcou sua estreia nas passarelas brasileiras (16/04/2011) imagem: Jarbas Oliveira/UOL

FERNANDA SCHIMIDT

Enviada especial à Fortaleza

O estilista mineiro Delfrance Ribeiro apresentou pela primeira vez no Brasil uma de suas coleções, em desfile realizado neste sábado (16) no Dragão Fashion, maior semana de moda do nordeste.

As peças fazem parte de uma pré-coleção para o Verão 2012 e foram pensadas especialmente para a apresentação. O estilista, que utiliza apenas tecidos italianos, trabalhou também com três materiais de Fortaleza, como a renda filé e os bordados – destaque para os looks desfilados pela modelo Carmelita. Sua moda festa é marcada pelas cores fortes e peças moldadas por drapeados e moulages [técnica em que a peça é montada no corpo da modelo ou cliente].

Atualmente, os vestidos de Delfrance Ribeiro são vendidos por meio de um showroom em Milão, onde mora, e em feiras como a Tranoi, importante polo de negócios em Paris. “O Brasil está tendo uma evolução muito grande na moda, por isso vim desfilar. Meu interesse é voltar para cá, talvez montar meu ateliê e ensinar o que aprendi fora”, disse ele.

Ribeiro deixou o país há 20 anos, fugindo do curso de Direito que levava a contragosto na Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Venho de uma família muito mineira, criada na fazenda. Eram eles que queriam que eu fizesse o curso. Aí, decidi ir embora para a Europa”, contou. Na Itália, maravilhou-se com a moda, e o interesse que demonstrava desde pequeno pelo assunto ganhou caráter profissional. Inscreveu-se no Istituto Marangoni, conceituada faculdade de moda em Milão.

A graduação de quatro anos foi seguida por um estágio em Londres como assistente da renomada estilista britânica Vivienne Westwood, em 2003. O trabalho, segundo ele, era árduo. “Chegava muito cedo, cortava tecido, limpava, fazia café. Eu era um pouco privilegiado, porque ficava ao lado dela e do marido, Andreas. Então, tudo o que ela fazia – prova de roupa, desfile em Paris, bastidores –, eu acabei fazendo também”, disse.

O estilista gostava de criar vestidos, mas nessa época tinha apostado suas fichas na moda masculina. “Pensei que seria mais fácil entrar no mercado, mas foi mais difícil. Queria um homem unissex, para que a mulher pudesse vestir a roupa do namorado e vice-versa. Acho que estava à frente do que acontecia na Europa”, disse. Os planos mudaram com um curso de alta-costura que fez em Paris, em 2007, na École de La Chambre Syndicale de La Couture Parisienne, de onde saíram nomes como Yves Saint Laurent e Valentino. Lá, achou a moda com a qual se identificasse. “Queria encontrar vestidos diferentes, fazer moulages. A minha mulher tem de ser muito glamurosa, marcante”, disse.

A linha feminina foi lançada oficialmente há pouco mais de dois anos, e seus vestidos são terceirizados pela confecção Castellani Elena, na cidade italiana de Perugia. Segundo Ribeiro, a fábrica é responsável também pelas coleções de grifes como Fendi, Bottega Veneta, Dolce & Gabbana e Tom Ford.

Das 1.500 peças produzidas a cada coleção – com preços quem variam de R$ 227 a R$ 2.227 (aproximado do valor em euro) –, cerca de 60% é exportado para a Rússia, seu maior mercado consumidor. “As russas são muito sexy e gostam de se vestir bem. Lá e nos países árabes, as pessoas gostam de cores e coisas alegres”, disse o estilista. Além da Rússia, a Delfrance Ribeiro é comercializada no Qatar, Arábia Saudita, Tunísia, Uzbequistão, França, Itália e Espanha. No Brasil, ainda não há contrato fechado – apesar de espaços como o shopping Leblon, no Rio de Janeiro, e a Daslu, de São Paulo, terem demonstrado interesse no trabalho do mineiro.

No próximo ano, o estilista planeja entrar para a programação oficial da semana de moda de Milão, que conta com marcas italianas tradicionais como Giorgio Armani, Versace, Gucci e Prada.


*A repórter viajou a convite do Dragão Fashion Brasil

 

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