Moda

Roupas fetichistas inspiram espetáculo de dança com figurino de Karlla Girotto

JULIA GUGLIELMETTI

Colaboração para o UOL

Estreia, no próximo dia 28 de maio, o espetáculo “Darkland”. Realizado pela Cia. Vitrola Quântica, a performance é dirigida pela bailarina Julia Abs, e, junto com Aline Bonamin e Thaís Di Marco, traça um paralelo entre moda, dança e movimentos corporais no geral.

Apoiado pelo projeto Rumos Itaú Cultural, o grupo vem trabalhando na pesquisa do espetáculo desde 2009, tendo como principal objetivo estabelecer a relação entre o conceito da indumentária e o corpo em movimento. Os procedimentos de criação e experimentação do universo da moda foram incluídos no conceito da pesquisa coreográfica.
 
Em parceria com a estilista Karlla Girotto, o figurino foi elaborado antes da coreografia. O processo de estudo partiu do desafio da escolha da estilista por três peças: o corset, o sapato plataforma e a máscara. “Elaboramos a coreografia a partir destas peças que interferem bastante no movimento”, conta Julia Abs, diretora do espetáculo.
 
Certas partes do figurino foram extraídas diretamente da coleção “Brecha” da estilista, apresentada no Fashion Rio na edição do Inverno 2005. Ainda, móveis com inspiração rococó usadas na cenografia do desfile estão presentes em “Darkland”. Assim como o figurino, o mobiliário também participa da dança.
 
O espetáculo é guiado pelo conceito do feminino fetichista. “A questão estética é muito importante: a lingerie, a renda, o corset e o salto alto caracterizam este universo do fetiche, assim como os próprios movimentos que remetem a estas vertentes eróticas”, diz Julia. “As pessoas gostam de se mostrar, de serem vistas de salto alto. O figurino determina as relações com as poses”.
 
Além desta temática sensual, o espetáculo ainda trata da imagem poética das bonecas humanas e dos objetos com vida, apresentando uma imagem erótica estranha, com os movimentos das bailarinas mecanizados.
  • Divulgação

    Máscara de gatinha de Karlla Girotto, que faz parte do figurino de "Darkland"

O estudo de relação do movimento com as peças do figurino começou pelo sapato plataforma. “De cara pode se notar que este adereço modifica a forma do corpo. O volume dos pés não é o natural, a plataforma sugere um pedestal, criando a impressão de o corpo estar flutuando sobre algo fixo”, descreve a diretora no blog oficial do projeto.
 
Também sugerido por Karlla Girotto, o corset confeccionado pelo atelier Madame Sher foi a segunda peça a ser trabalhada, questionando a percepção do movimento corporal.
 
A máscara de gatinho, usada no desfile de Inverno 2005 da estilista, entrou para a performance como a construção de um disfarce para as bailarinas. “É como se moda fosse uma máscara social que por um breve período de tempo toma para si a tarefa de explicar um pedaço de mundo, seus desejos, seus anseios e para onde este está caminhando. Põe-se máscara, tira-se máscara, e assim o mundo vai construindo uma imagética”, escreveu Karlla Girotto no blog do projeto.
 
Reforçando esta estética que entrelaça a moda e a dança está a arte visual de Pablo Romart, que criou desenhos animados em projeções, colaborando para a imagem pesquisada e elaborada juntamente com a coreografia. O mesmo aconteceu com a trilha sonora, composta pelo próprio grupo, em parceria Rica Amabis, Tejo Damasceno e Daniel Ganjaman.
 
A iluminação brinca com a idéia de luz e sombra e amarra todos estes elementos. “Com a iluminação, desenhos são criados. É como se o corpo se transformasse em animal e o seu limite se dissolvesse sempre no erótico”, diz a diretora.
 
O espetáculo terá duas apresentações no SESC Ipiranga, em São Paulo, nos dias 28 e 29 de maio e migra para o SESC Pompéia em uma temporada no mês de junho.
 
Serviço:
SESC Ipiranga
Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga, São Paulo (SP)
Tel.: 11 3340-2000
Dia 28 de maio às 21h e no dia 29 de maio às 18h
Entrada: R$ 16
 
SESC Pompéia
Rua Clélia, 93, Pompéia, São Paulo (SP)
Tel.: 11 3871-7700
Dias 09, 10, 16, 17, 24, 30 de junho e 1 de julho, às 21h 
Entrada: R$ 12
 
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