Moda

Conceituais, Melk Z-Da e Acquaestudio criam roupas "estranhas" e bonitas

Montagem/UOL
Looks de Acquastudio e Melk Z-da para o Verão 2012, desfilados no Fashion Rio (30/05/011) imagem: Montagem/UOL

CAROLINA VASONE

Enviada especial ao Rio

É muito comum, no mundo da moda ou no desfile das ruas, uma roupa com uma modelagem mais diferente ser logo tachada de "conceitual". A definição parece ter virado, para alguns, sinônimo de "arte". Para outros, de roupa estranha mesmo.

Nem ao céu, nem ao inferno, a chamada moda conceitual está mais para um exercício de construção, por meio da roupa, de uma mensagem mais complexa, com informações diferentes do nosso feijão com arroz do dia a dia (ou o nosso jeans com camiseta, ou o nosso pretinho básico, ou a nossa regatinha incrementada, enfim) do que para uma Monalisa ou um Frankstein na forma de um vestido.

Não que um bom feijão com arroz seja dispensável. Tem gente, porém, que cansa de comer a mesma coisa todo dia. E prefere se aventurar por sabores diferentes, curiosos, exóticos  e, por que não, um pouco estranhos comparados ao bom e conhecido "PF" (prato feito) nosso de cada dia.

Em patamares diferentes, o pernambucano Melk-Z-Da e a paulista Esther Bauman (da Acquaestudio), respresentaram este filão conceitual no primeiro dia do Fashion Rio, nesta segunda (30). Numa primeira olhada, os dois desfiles podem provocar uma torcida de nariz naquelas que estão querendo é ganhar elogio do marido ou fazer sucesso na boate. "Penso em deixar a mulher bonita. Mas bonita do meu jeito, [de um jeito] que não seja tão comum", esclarece Melk-Z-Da. Vestidos e peças em camadas, inspirados na folha da amendoeira, misturam tecidos leves e leitosos como a organza e o chiffon ao brilho do cetim e à estrutura do couro. As texturas da resina e da técnica de cestaria, assim como o aspecto rústico e as referências à alfaitaria, as formas próximas do corpo mas não usuais, passam o recado: esta é uma mulher que valoriza suas raízes mas quer saber o que acontece no mundo hoje, faz questão de manter-se informada, está aberta a novidades e valoriza a sensualidade, mas dentro de um contexto que revele outras qualidades.


Claro, você não precisa dizer tudo isso apenas com a sua roupa. Mas já que ela anda para cima e para baixo grudada no seu corpo, se exibindo antes mesmo de você abrir a boca para dizer "oi", pode ser interessante que os discursos estejam afinados.

Com a sua coleção mais comercial até agora, com planos de expandir suas vendas para o Rio, Salvador e São Paulo em breve, Melk Z-Da diz ter até medo da palavra conceitual. "Parece algo fora da realidade", afirma. Ele prefere definir o termo como "uma roupa feita de um jeito especial".

Especializada em vestidos de festa, há alguns anos com foco nos modelos de noiva, a Acquaestudio tem intenções parecidas com resultados diferentes. Inspirada pela geometria e tridimensionalidade do cubismo, a estilista, investiu em formas duras e pontudas, com quadris com laterais triangulares, ombros encaixotados, camadas de babados quadrados, ângulos de retângulos que ultrapassavam o limite do corpo. Os vestidos mais leves, com os babados geométricos em organza, como o rosa claro com quadrados bordados em preto, eram diferentes e bonitos. A contemporâneidade da coleção, porém, parece retrô, remetendo um pouco à ideia do futurismo dos anos 60 e, assim, perdendo em frescor.

Feijão com arroz e tempero

Para quem pensa na roupa de uma maneira mais pragmática, a Ellus 2nd Floor deu um toque a mais na comida do dia a dia para as garotas e garotos jovens. O mesmo fez a Patachou pelas mulheres adultas, sem envelhecê-las. As duas marcas apostaram na cor e na estampa.

 

A primeira, com assinatura de Thiago Marcon, iluminou os dias do próximo verão com estampas florais em tons fortes em fundo preto, calças justíssimas para pernas longas e finas em tons pastel combinando com estas mesmas camisas em amarelo, rosa e azul vivos, que também apareciam na charmosa mochila tipo pasta escolar. Para as garotas, a parte de baixo era curta, com saias drapeadas transpassadas em forma de concha, shortinhos e minis plissadas e a de cima mais fechada, com base na camisaria, em inteligentes versões. A inspiração vinha do mar e da indumentária dos guerreiros gregos. A cartela de cores, preciosa, assim como o styling (a produção das looks, assinada por Letícia Toniazzo), com combinações de estampa com estampa, tons sobre tons.

Já a Patachou  também uniu estampas com estampas, só que numa versão para maiores de 25 anos, com clássicas combinações de preto e branco com bordados e desenhos sofisticados inspirados no estilo "art decó" do edifício Biarritz, no Rio de Janeiro. A camisa também serviu como base para vestidos chemise e partes de cima cujo volume contrastava com as saias mais ajustadas com cintura no lugar. Destaque para os bordados de miçanga, em especial o de bicos em preto na camiseta branca e a estampa de de tucanos. 

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