Moda

Elogiado pela crítica internacional, Gareth Pugh flerta com a "massa" da moda

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O estilista Gareth Pugh chega a festa da Givenchy durante a semana de moda de Paris (06/03/2011) imagem: Getty Images

CAROLINA VASONE

Enviada especial ao Rio

Aos 29 anos, Gareth Pugh já ganhou a benção fashion de Anna Wintour (a "diaba" que veste Prada da "Vogue" América), Carine Roitfeld (Vogue Paris) e dos principais críticos, editores e especialistas internacionais de moda. Comparado a Alexander McQueen e a Galliano, seus conterrâneos britânicos, o estilista chamou a atenção pelo espírito performático desde o desfile de formatura em 2003, na conceituada Central Saint Martins (onde McQueen e Galliano décadas antes, também estudaram). "Se eu os conhecesse, não teria coragem de falar com eles. É difícil conversar com estas pessoas porque eu obviamente acho incrível o que elas fazem", conta, sobre os estilistas da "geração mais velha", como definiu em entrevista ao UOL na tarde desta terça (31).

A mesma reverência não se aplica a estrelas pops internacionais como Kyle Minogue, Beyoncé e Lady Gaga, com as quais Pugh acha divertido se relacionar e consumidoras de suas roupas no palco e nas fotos de revista. O que, para ele, não significa sentir-se parte do mundo das celebridades. "Sou muito tímido. Eu fui o 'Met Ball' [o baile da gala do  museu Metropolitan], em NY, porque uma das minhas peças estavam na exposição dos super-heróis [em 2008]. Eu não sei como alguém pode achar que aquela é uma situação normal. Cada pessoa naquele lugar era um 'superstar'", diz, para completar. "Sinto que estou mais do lado de fora. Não sinto que este seja meu 'habitat natural': ir ao banheiro e encontrar o David Beckham?! Estranho."

Nascido na pequena cidade de Sunderland, no nordeste da Inglaterra, Gareth Pugh participou da vida prosaica dos menos de 200 mil habitantes locais, trabalhou como atendente de telemarketing com a mãe antes de virar um dos grandes nomes promissores da moda alternativa mundial. "Sunderland era uma cidade construtora de navios. Com o fim da 2ª Guerra Mundial, virou uma cidade industrial de classe trabalhadora. Não tinha nada a ver com moda. Mas com...beber", brinca. Embora considere-se uma pessoa comum, fora do grande círculo da moda, suas roupas seguem direção contrária. Materiais inusitados, de látex a cabelo humano, fazem parte do arsenal usado para construir peças sombrias, fetichistas, com volumes exagerados que conferem outra forma ao corpo, em tons geralmente de preto e branco.

Quando cria as coleções para os desfiles que, desde 2009, apresenta em Paris (onde tem também um ateliê), a preocupação parece não ser vender ou agradar o mercado. Tampouco suas clientes famosas. "Quando crio a minha coleção para a passarela, não penso em como vai funcionar no palco ou nas ruas . O que desenho é mais sobre o que quero fazer e o que quero comunicar no desfile."

Com loja apenas em Hong Kong e peças espalhadas por multimarcas e magazines de luxo em vários pontos da Europa, Gareth Pugh não pretende ficar grande, mas gosta da ideia de ser mais acessível. "O que eu faço na minha própria linha é bem específico e um pouco para um nicho, mas algo como este projeto da Melissa faz com que pessoas que não teriam dinheiro para comprar as minhas roupas possam adquirir uma peça minha. É muito interessante, nunca havia feito isso", diz, sobre a parceria com a Melissa. O designer estampou o modelo "ultragirl", o mais vendido da marca, com uma estampa gráfica, de estrelas, do começo de sua carreira. Já o modelo desenhado exclusivamente para a marca é uma sandália que lembra uma gladiadora, com estampa do desfile do verão de 2009, o primeiro apresentado em Paris. O modelo customizado acaba de ser lançado. O inteiramente idealizado por Gareth Pugh chega às lojas em outubro deste ano (2011).

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