Moda

Biografia polêmica de Chanel chega ao Brasil nesta sexta (16)

BÁRBARA STEFANELLI

Da Redação

Na semana passada, John Galliano foi condenado a pagar uma multa de 6.000 euros (cerca de R$ 14.000) por proferir declarações antissemitas em um bar de Paris.  O ex-diretor criativo da Dior, reconhecido talento de sua época, não é o único ícone de moda a ser acusado de envolvimento com o nazismo.

Mais de meio século antes, Coco Chanel era apontada como suspeita de ligações com Hitler. Com o lançamento do livro “Dormindo com o Inimigo - A Guerra Secreta de Coco Chanel”, que chega às livrarias brasileiras nesta sexta (16), a polêmica foi reacendida.

Segundo o autor e jornalista norte-americano Hal Vaughan, Gabrielle Chanel (1883-1971) envolveu-se com a alta inteligência nazista durante a ocupação alemã em Paris, no início de 1940. A obra ainda descreve detalhes do relacionamento amoroso que Coco teve com o barão Hans Günther von Dincklage, um agente do serviço secreto da Alemanha. O caso durou mais de dez anos.

Com informações consistentes e cópias de documentos que incriminariam a estilista, a obra mistura e relaciona passagens biográficas da vida da criadora com episódios históricos, como 1ª e a 2ª Guerra Mundial. No entanto, para quem se interessa não só por política, mas também por moda, a obra ainda é rica em detalhes da carreira da estilista e descreve como ela transformou uma confecção de chapéus em uma das maiores grifes mais importantes de todos os tempos.

Informante?

Dias depois da libertação de Paris, em 1944, Chanel foi detida e interrogada pela milícia do general francês Charles de Gaulle, sob a acusação de passar informações para os nazistas. Segundo o livro, graças à intervenção do amigo e primeiro-ministro britânico Winston Churchill, a estilista foi solta e "em questão de horas saiu de Paris rumo à Suíça", onde viveu por um tempo com o amante Dincklage.

  • AFP

    Retrato de 1944 da estilista francesa Coco Chanel


Também nesta época, longe de Paris, a estilista ficou afastada de sua grife. Só em 5 de fevereiro de 1954, Chanel, entediada com a vida de aposentada na Suíça, resolveu apresentar uma nova coleção em Paris e voltar à ativa. Uma curiosidade: a criadora sempre lançava as suas criações nos dias 5, pois esse era o seu número da sorte.

O outro lado

Lançado em agosto nos Estados Unidos, “Dormindo com o Inimigo...” causou tanta controvérsia que a maison Chanel chegou a soltar um comunicado sobre o assunto:

“O que é certo é que ela [Chanel] teve um relacionamento com um aristocrata alemão durante a guerra. Claramente, não foi o melhor período para se viver uma história de amor com um alemão, mesmo que ele fosse inglês por parte de mãe e ela o conhecesse desde antes da guerra.

(...) Insinuações não podem passar em branco. Ela dificilmente teria formado um relacionamento com o povo judeu entre seus amigos e parceiros profissionais, tais como a família Rothschild, o fotógrafo Irving Penn ou o conhecido escritor francês Joseph Kessel, se tivesse realmente essas opiniões. É pouco provável.”

Em meio a todo o burburinho sobre o envolvimento de Coco com os nazistas, uma coisa é fato: a estilista revolucionou o modo das mulheres se vestirem no século 20. Com simplicidade e elegância ímpares, a criadora deu um fim a era dos vestidos espalhafatosos e fez com que as damas da época adotassem um visual mais leve e confortável.

“Dormindo com o Inimigo...”
Autor: Hal Vaughan
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Denise Bottmann
Quanto: R$ 43

 

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