Moda

Hermès propõe "simplicidade rica" e aposta em mix étnico

Montagem/UOL
No destaque, acessório apresentado no desfile da Hermès, em Paris imagem: Montagem/UOL

CAROLINA VASONE

Enviada especial a Paris

As bolsas não chamaram a atenção desta vez. Pequenas, com alças longas, usadas atravessadas na diagonal, eram alternadas com um modelo um pouco mais vistoso, estruturado, em preto, e outro estilo porta-celular, em várias cores fortes, usado pelas modelos como bolsinha, com a alça comprida enrolada na mão.

A quase ausência de acessórios - o ponto forte da grife, conhecida pelas bolsas tão milionárias como desejáveis, das Kelly às Birkin, e pelos "carrés" .- fez parte do discurso de Christophe Lemaire,  ex-Lacoste e responsável pelo segundo desfile como diretor criativo da Hermès. A ideia era criar uma imagem de simplicidade. "Uma simplicidade rica", salientou Lemaire, em entrevista aos jornalistas depois da apresentação.

Para o Verão 2012, o substituto de Jean Paul Gaultier na maison secular dividiu a coleção em blocos, desfilada em várias salas da galeria Jeu de Paume, no final dos Jardins de Tuileries (entre o Louvre e a "place de la Concorde") . O primeiro deles surgiu como um sopro refrescante para os convidados que se abanavam de tanto calor, num domingo parisiense com temperatura, literalmente, carioca. Tudo branco, ou quase (crus, beges bem clarinhos acompanhavam), em modelos amplos, como saias longas plissadas, calça saruel com elástico na barra, bermuda com pernas abertas, quase uma saia-calça.

Na parte de cima, camisaria e alfaiataria masculina. Muito algodão nesta parte, além de variações de linho. Depois veio a parte étnica. Segundo o estilista, que já havia feito referências a várias culturas do Oriente na temporada passada, sua intenção era reforçar a "vocação de viagem" da Hermès. "No começo do desfile há um pouco [de referência] do México e também da Grécia. Depois, vem África", disse.

Embora não tenha citado nenhum país oriental textualmente, há referências aos quimonos japoneses, a capuzes e capas que remetem a um universo árabe islâmico. No momento africano, vestido longo com fundo branco e estampa do que pareciam guerreiros negros, saias assimétricas curtas, mistura de tons como o verde-escuro com preto e azul, tom de violeta com preto ou com azul.

Além do branco, laranja (neste caso, o laranja tradicional da Hermès, aceso, extamente o laranja que está na moda), os tons de marrom, incluindo o caramelo, e esta mistura mais exótica, misteriosa, de preto com violeta, azul e verde escuro compuseram as cores do verão da "maison".

Nos tecidos, os algodões e linhos foram os protagonistas. Mas também apareceram peças em chamois e couro, em coletes e casacos em tom de caramelo e até em uma jaqueta preta. O shantung de seda deu brilho a alguns looks, e as sandálias com tira no tornozelo, usadas com meia branca que terminava exatamente onde começava a fivela, foram as responsáveior por um toque de humor à coleção.

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