Moda

Inverno em tons de branco é destaque na abertura da Casa de Criadores

Alexandre Schneider/UOL
Peças em tons de branco desfiladas no primeiro dia da Casa de Criadores Inverno 2012 (12/12/2011) imagem: Alexandre Schneider/UOL

FERNANDA SCHIMIDT

Da Redação

Homens e mulheres podem separar um espaço em seu armário do próximo inverno para os tons de branco, com destaque especial ao cru ou creme. É o que mostram os destaques do primeiro dia da Casa de Criadores, semana de moda alternativa realizada em São Paulo entre esta segunda (12) e quarta-feira (14). 

A escolha de tons claros foi coincidente nos desfiles de Gabriela Sakate e Luiz Leite, que apresentam suas coleções dentro do Projeto Lab, criado para os jovens estilistas. Gabriela trabalhou bem com o algodão texturizado (em creme e também em preto) em versão rústica, mas com ar elegante, ou resinada. Já Leite optou pela simplicidade do moletom para seus looks masculinos de ganchos mais soltos e sobreposições em creme com um branco ocasional.

Além da predileção pelas produções alvejantes ou claras - tendência já vista nas passarelas internacionais - o primeiro dia do evento também foi marcado pela estreia do novo endereço, o recém-inaugurado Cine Joia, e de um novo estilista, em participação especial. Conhecido pelas plataformas altíssimas e pelo design arrojado, Fernando Pires desfilou botas e sandálias que estarão nos pés das celebridades brasileiras na próxima estação. Entre as apostas do sapateiro estão botas acima do joelho, franjas, transparências e muito brilho.

Voltada para as criações conceituais e os novos talentos, a Casa de Criadores quebrou o formato clássico da passarela nesta edição, levando as roupas e acessórios de seus estilistas para o palco do recém-inaugurado Cine Joia, no bairro da Liberdade. A primeira fila deixou de existir como o lugar mais cobiçado graças à disposição diferente das cadeiras, que acompanhavam o desenho em "T" do palco, no nível do chão. Convidados e jornalistas, então, escolhiam livremente seus assentos, de acordo com a posição que julgavam ser a melhor para observar o caminhar das modelos.

PÉ NO CHÃO

O fator espetáculo, no entanto, foi pouco utilizado pelos nove criadores que abriram a programação desta temporada do evento. As apresentações mais coreografadas ficaram por conta do estreante Fernando Cozendey, do Projeto Lab, que transformou a moda praia em longos de festa, com toques de alfaiataria, e Ale Brito, que abriu seu desfile com show de luzes e a música "Skinny Little Bitch", de Courtney Love e sua banda Hole na trilha sonora. Enquanto o desfile de Cozendey brincou com a estamparia de "bodies" como espinhas de peixes e o crânio de um touro, o de Brito lembrou o figurino da série "Perdidos no Espaço" em um show de rock, com looks metalizados e peitos à mostra.

Mas é claro que, quando a passarela vira palco, fica fácil para o pernambucano Walério Araújo roubar as atenções. Veterano na moda alternativa, Araújo está acostumado ao desfile-espetáculo e tem no currículo looks para a cantora de axé Claudia Leitte, a atriz Elke Maravilha e as drag queens mais famosas do país - estas, aliás, compareceram em peso nesta noite, com destaque para a presença de Silvetty Montilla, Salete Campari e Dimmy Kier, ainda que na pele do ex-BBB Dicésar. Apesar de mostrar uma coleção majoritariamente sóbria, de vestidos cinzas e pretos, apenas com drapeados e detalhes de nós ou penduricalhos, o estilista tomou os holofotes ao fim da apresentação, rebolando até o chão ao som de "Rolling in the Deep", hit da cantora Adele.

O maior contraponto às peças de cores claras ou usadas "combinadinhas" como conjuntos veio com o desfile da Juss, da estilista Juliana Souza, ex-assistente de João Pimenta. A marca sugeriu um guarda-roupa masculino marcado pela mistura de padronagens, com listras, florais, estampadas gráficas e tecidos lisos, usados juntos. Algumas calças e camisas possuíam recortes, deixando clara a união de tecidos diferentes.

Desfilaram ainda o mineiro Ronaldo Silvestre, com coleção inspirada no trabalho do mágico Harry Houdini, mestre em escapar de algemas e correntes - é ele quem aparece na estampa digital do vestido branco e pautou as tiras usadas como amarras - , e o cearense Mark Greiner com tecidos que focaram os atoalhados, com plush e veludo, e peças que favoreceram as grandes mangas e os ombros caídos.

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