Moda

2º dia da Casa de Criadores é dos homens, com estreia de marca de motoqueiros

Marcelo Soubhia/AgFotoSite
Looks dos desfiles da estreante Top Hat (esq.) e da Der Metropol, destaques no segundo dia da Casa de Criadores Inverno 2012 imagem: Marcelo Soubhia/AgFotoSite

FERNANDA SCHIMIDT

Da Redação

O ranger de uma moto nos alto-falantes do Cine Joia anunciava a estreia da marca Top Hat na Casa de Criadores, na noite desta terça-feira (13), segundo dia de desfiles para o Inverno 2012. A Top Hat é o braço fashion de uma oficina mecânica de mesmo nome, especializada em customização de motos e carros antigos.

Mas quem esperava um desfile cheio de caras, bocas e poses marcantes, bem ao estilo das apresentações da marca underground Sumemo com tatuados, panicats e roqueiros, saiu decepcionado. "Sou adepto dos desfiles tradicionais. A atração é a roupa, não tenho celebridades desfilando", disse o estilista Alexandre Bucci. Assim, a grife mostrou um streetwear mais próximo do convencional, com muito preto, jeans, camiseta e moletom, jaquetas de couro e outras inspiradas nos uniformes de beisebol. Bordados com o nome da marca e caveiras, o logo da Top Hat, detalhavam ou revestiam as roupas e acessórios. 

O desfile marca a expansão da grife, que irá comercializar suas peças, com preços que variam de R$ 89 a R$ 800, em 12 pontos de venda pelo Brasil a partir de março. Atualmente, as criações da Top Hat são encontradas na oficina em São Paulo e na loja da Pretorian, conhecida dos fãs e lutadores de MMA, também desenhada por Bucci. Sua intenção é dar novas opções aos clientes de marcas como Sérgio K e Reserva.

Com uma estratégia bem menos comercial está a marca Der Metropol, do estilista Mario Francisco, que também se apresentou nesta noite. Suas coleções partem de ideias bem amarradas que são desenvolvidas ao longo do desfile - para o Inverno 2012, o tema foi "Confrontamento com a Morte", trabalhando conceitos como conforto (matelassê grosso das jaquetas, coletes e calças), dor (arame farpado em bordados) e fé (símbolos religiosos e as tramas lembrando colmeias de abelhas, que representam a alma). O estilista vende apenas por sua página no Facebook e não tem planos de ampliar a comercialização dos produtos. Seu foco está na venda de peças sob medida, ainda que suas criações tenham cada vez mais contemplado opções que sejam mais facilmente digeridas pelos brasileiros, ou seja, que apostam no "pronto para usar". "O homem quer chamar atenção porque está bonito, não extravagante. O segredo é conseguir trabalhar neste limite", explicou Francisco. As peças na loja da Der Metropol saem entre R$ 98 e R$ 2.500, enquanto as feitas sob medida chegam a ser de três a quatro vezes mais caras.

Os criadores no 2º dia

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    Danilo Costa e a infantil Spirodiro levaram temas fofos e lúdicos para a passarela da Casa de Criadores (13/12/2011)

A moda infantil da Spirodiro, do Projeto Lab, provocou suspiros na plateia, graças ao seu trabalho marcado pelas peças lúdicas. No olhar da estilista Silvia Ferraz, o inverno da criançada terá capas em camadas de xadrez, raios detalhando bolsos traseiros das calças, mangas retráteis e gorros que lembram uniformes de superheróis.

Este viés fofo e singelo das roupas marca também as criações do estilista Danilo Costa. Com peças que focam o conforto, Costa propôs estampas de gatos e camomila, calças justas e coloridas para os meninos e blazers com mochilas acopladas. A cartela de cores trouxe azuis, amarelos, verdes e rosas, preferencialmente em tons clarinhos, pastéis. Aliás, é possível pensar nos jovens que vestem Danilo Costa como as crianças que cresceram e deixaram de caber nas peças da Spirodiro.

A estilista Karin Feller passeou por padronagens clássicas em sua coleção inspirada pela aviadora norte-americana Amelia Earhart. Lá estavam o pied-de-poule ("pé de galinha"), as listras e o étnico. Karin mostrou boas opções de vestidos, com destaque para as peças em cinza e o floral colorido em fundo claro.

Desfilaram ainda os jovens Jonathan Gurgel, Juliana Moriya e O.sório, no Projeto Lab, e Weider Silveiro, que abriu sua apresentação com uma modelo com cigarro em uma das mãos esbanjando tragos e trilha sonora com "Breathe", hit do Prodigy lançado em 1996.

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