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Moda masculina ganha padronização de tamanhos; saiba como comprar

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Foto interna da Alfaiataria Persona imagem: Divulgação

Ricardo Oliveros

Do UOL, em São Paulo

O mercado masculino de moda no Brasil está aquecido e passa por um período de transformação. A partir de agora, as marcas brasileiras para homens terão disponíveis uma nova norma de padronização de tamanhos, o que promete facilitar muito a nossa vida. A coluna Hora H desta semana comenta o que pode mudar nas etiquetas das roupas e dá dicas de como e onde comprar roupas por tipos de lojas.

Saiba o que pode mudar nas etiquetas das roupas masculinas
 
Neste mês, deve entrar em vigor no Brasil a norma de padronização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (Abnt) para as roupas masculinas, de acordo com a engenheira Maria Adelina Pereira, superintendente do Comitê Brasileiro de Têxteis e do Vestuário. “A nova norma depende apenas de um documento para a sua homologação”, disse. 
  • Abnt/Divulgação

    Exemplo das informações de tamanho do corpo para nova etiqueta de paletó masculino

Apesar de não ser obrigatória, esta norma prevê a mudança do atual padrão P, M, G, GG, para medidas em centímetro, especificando altura, tamanho da cintura, quadril, tórax, pernas, entre outras, para três tipos corpos: atlético, normal e especial. Há também a possibilidade de usar tamanhos diferentes para homens e para rapazes, ou seja, para aqueles que ainda estão com a estatura em desenvolvimento. 
  • Abnt/Divulgação

    Exemplo das informações de tamanho de corpo para a nova etiqueta de calças masculinas

“O principal objetivo desta norma é o estabelecimento de um sistema de designação de tamanho que indica (de maneira simples, direta e significativa) o tamanho do corpo do homem ou rapazes em que uma peça de vestuário deve servir exatamente”, descreve o documento da Abnt na sua fase de elaboração. Em síntese, o que teremos é a substituição do tamanho da roupa que é adotada atualmente pelo tamanho do corpo.  
 
Dicas para acertar nas compras
 
Mesmo com a padronização a caminho, é importante experimentar cada peça que for comprar e observar se está no seu tamanho. Parece óbvio, mas muito homem compra roupas mais largas para disfarçar que está muito gordo ou muito magro. Isso nunca funciona. 
 
Quando for experimentar uma camisa, veja se o colarinho fecha sem dificuldades e é possível passar o dedo de maneira justa. As mangas devem acabar no seu pulso - é bom fazer o teste de levantar o braço para ver se a altura está boa mesmo. Quando usada por dentro da calça, não deve sobrar muito tecido nas laterais. 
 
A calça deve servir na cintura com uma pequena folga e é bom experimentá-la tanto de pé, quanto sentado. Não há problema se você prefere calças mais justas, especialmente as jeans, mas neste caso dê uma olhada na etiqueta para ver se na sua composição tem algum tecido elástico, que fará com que ela se ajuste de maneira mais confortável. A silhueta mais em evidência na atualidade é a “fit”, ou seja, rente ao corpo sem ser justa. Por fim, veja se é preciso fazer a barra e se a loja oferece este tipo de serviço. 
 
Ao comprar um costume, composto de calça e paletó, tome cuidado com os ombros. Eles devem estar exatamente na medida, nem mais, nem menos. É isto que vai definir o bom caimento da peça. O comprimento das mangas deve deixar pelo menos dois dedos do punho da camisa. Uma dica para saber se o paletó está bem cortado é observar se a costura da parte das costas não faz um “S”, pois ela deve permanecer linear quando o paletó é vestido. Assim como a parte posterior dos ombros não deve formar rugas. 
 
Os calçados devem obedecer a uma regra: conforto. Ninguém merece andar com sapato apertado. Mesmo que o vendedor jure de pé junto que ele vai lacear, não acredite, pois no máximo, ele se ajusta na largura, nunca no comprimento. Os dedos dos pés não devem encostar diretamente no bico do sapato, deixando livre um pequeno espaço, como a largura de um lápis. 
 
Conheça a diversidade de lojas masculinas 
 
A variedade de lojas voltadas para o público masculino tem crescido, proporcionando mais opções para diferentes perfis. Tudo bem que é uma realidade distante daquela em grandes centros como Nova York, Paris, Milão e Londres, mas o homem brasileiro tem evoluído e é uma questão de tempo até que ele atinja sua “maioridade” em termos de estilo. Mesmo que isso represente investir no básico revisitado, como as marcas cariocas têm feito
 
Exercite o estilo nas lojas exclusivamente masculinas
 
O ponto forte deste tipo de loja é que o homem pode sair vestido da cabeça aos pés. Os atendentes acabam se especializando neste público, e o homem pode ficar mais à vontade e começar a fazer compras sem depender da mãe, namorada ou amiga. Ao escolher uma peça que você precisa, experimente combiná-la com outras para ver as possibilidades, mesmo que não as compre.  É um bom exercício para definir seu estilo.
 
Lojas unissex atraem homens interessados por moda 
 
O bom é que você pode levar junto sua namorada, mesmo correndo o risco de ser abandonado por ela por mais tempo do que gostaria. Este tipo de loja, em geral, está ligado a marcas que se preocupam com as tendências da moda e são boas para dar uma atualizada no seu visual. 
 
Aposte no básico em grandes magazines
 
Os grandes magazines investem mais nas mulheres, mas algumas parcerias visando o público masculino têm despontado como a coleção de Oskar Metsavaht, da Osklen, e a de Pedro Lourenço, ambos para a Riachuelo. Isto faz parte de uma estratégia para conquistar uma fatia maior de público ligado em moda, mas que tem feito compras na espanhola Zara e que pode migrar para a inglesa Topman, que abre sua primeira loja brasileira no dia 19 de abril, no shopping JK Iguatemi, em São Paulo. 
 
O forte atrativo destas lojas é o preço mais acessível e, mesmo assim, é possível encontrar peças com qualidade. Aposte nas básicas como camisetas, camisas e calças de corte clássico que não saem de moda. 
 
Roupa sob medida é um luxo que pode ser acessível
 
Ter uma roupa feita sob medida tem seu preço, mas vale cada real investido. Seja para uma camisa ou um terno completo, alfaiates e camiseiros tomam suas medidas, depois montam os moldes, fazem a primeira prova no seu corpo e voltam para fazer os arremates. A seguir, há a segunda prova, para então você ter a roupa exatamente no seu tamanho. Como os profissionais mantém as suas medidas, você pode encomendar outras peças pelo telefone, isso se não engordar ou emagrecer, é claro. 
 
Os preços para o feitio não variam muito, o que encarece a peça é o tecido. Geralmente, quanto mais fios tiver a peça (120, 150, 180), mais cara ela ficará. Uma dica para quem quer economizar é escolher um terno semi-pronto, que é cortado na máquina sem as mangas, mas ainda assim é personalizado e feito de acordo com suas medidas. 
 
Aposte na variedade de modelos das lojas especializadas 
 
Neste setor, entram as camisarias, sapatarias e lojas de acessórios. Como não fabricam diferentes itens, podem se concentrar em um tipo de peça e oferecer uma maior variedade de modelos. São os lugares certos para achar com mais facilidade aquilo que você procura. 
 
Classe C aquece mercado de moda no Brasil
 
O mercado masculino representa 35% do total que é produzido em termos de moda no Brasil, atrás das mulheres com 41% do mercado, mas à frente da moda infantil, que detém 18%, e a moda bebê, com 5%, de acordo com a Associação Brasileira de Indústria Têxtil (Abit). O setor têxtil é responsável por 17,5% do PIB da indústria de transformação nacional e por cerca de 3,5% de todo o PIB do Brasil. A cadeia produtiva soma um total de aproximadamente 30 mil empresas, movimentando R$ 83 bilhões/ano e empregando 1,65 milhão de trabalhadores. 
 
Apesar de os números darem a impressão de que o cenário é favorável, o setor poderia ter um desempenho melhor, se não houvesse o problema com as importações, especialmente de produtos chineses. Somente na indústria do vestuário, o valor das importações de R$ 1,9 bilhão em 2010, saltou para R$ 3 bilhões no ano seguinte.  
 
Por outro lado, o consumo de moda aumentou no Brasil e é interessante notar o poder de compra da classe C. A projeção do potencial de consumo desta classe para 2012 é de aproximadamente R$ 42 bilhões, atrás somente da classe B com um pouco mais de R$ 46 bilhões, de acordo com a pesquisa do Ibope Inteligência. Isto representa que, neste ano, o brasileiro vai gastar em média R$ 670 em roupas, sendo que em 2011, este número ficou em R$ 583. 
 
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