Moda

Primeiro museu brasileiro da moda conta a história da roupa feminina por meio de vestidos

Claudia Silveira/UOL
Museu dedicado à história da moda guia visitante por mais de dez períodos diferentes imagem: Claudia Silveira/UOL

Claudia Silveira

Do UOL, em Canela (RS)

Com uma ideia na cabeça e um ateliê nos moldes da alta-costura à disposição, a estilista gaúcha Milka Wolff tirou do papel o primeiro museu brasileiro totalmente dedicado à história da moda feminina. Milka vai mais longe e afirma que este é o primeiro espaço do mundo com exposição permanente voltada para a história do vestuário. O Museu da Moda fica em Canela, no interior do Rio Grande do Sul, e reúne um acervo com 150 peças, majoritariamente vestidos, distribuídas por cerca de 3 mil m². O UOL visitou o espaço, que segue os padrões de museus de moda estrangeiros, com iluminação de LED, climatização controlada e proibição de fotos.

Aberto ao público no final de dezembro do ano passado, o museu não exibe peças antigas, mas réplicas de modelos e vestidos que existiram de verdade, mas que se deterioraram e desapareceram ao longo dos anos, que não podem ser comprados facilmente ou que nem sequer estão à venda. “Nós visitamos museus e recorremos ao que existe só nos livros para montar esse acervo. Tentei fazer com que não faltasse nada de cada era”, detalha Milka, que trabalha com moda há mais de 50 anos e se especializou em vestidos de festa.

A curadoria ficou por conta da arquiteta Débora Elman, que também é professora e coordenadora dos cursos de pós-graduação em design de moda da Faculdade Senac do Rio Grande do Sul. Débora conta que o trabalho de pesquisa durou dois anos e ia além dos livros, estendendo-se por análise de esculturas, pinturas e, claro, museus de moda em vários países.

O objetivo era reproduzir com o máximo de fidelidade cada traje selecionado. Segundo Milka, que coordenou a equipe de criação, todas as peças foram confeccionadas obedecendo as limitações da época retratada. Se era um período em que a máquina de costura ainda não tinha sido inventada, tudo era feito à mão, inclusive os tecidos, saídos direto de um tear manual.

O passeio pela história contada pelo Museu da Moda começa por volta de 2000 a.C. com os vestidos do Egito, da Grécia, de Roma e da Pérsia, onde atualmente encontra-se o Irã. A Antiguidade é a era que dá as boas-vindas, fazendo o visitante entrar no clima histórico e, ao mesmo tempo, fashionista. Ao longo de 19 vitrines temáticas, percorre-se o guarda-roupa da Idade Média, do Renascimento, da Belle Époque e entra-se no século 21, onde os ciclos da moda estão divididos por décadas.

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    Vestidos da princesa Diana fazem parte do acervo. Clique na imagem para ver mais fotos do museu

Se, por um lado, o caráter histórico das peças do museu pode ficar comprometido para alguns por serem réplicas, por outro, o visitante tem a chance de ver vestimentas que mantém as cores e o brilho de uma roupa nova e, principalmente, conseguem repassar o glamour de determinada época. Milka afirma que preferiu confeccionar peças novas a adquirir roupas desgastadas, com manchas no tecido ou com bordados danificados.

“Se era pra fazer, que fosse o mais fiel possível. Fui buscar renda e brocados da França. Quando não tinha acesso a um tecido específico, mudava o modelo do vestido”, diz a estilista.

No acervo, cada peça conta uma peculiaridade da moda feminina de determinada época. Apesar de ficar claro que o ponto de referência são os vestidos, a entrada da calça comprida no guarda-roupa da mulher faz falta na história contada pelo espaço.

O museu, que demandou um investimento em torno de R$ 6 milhões, possui ainda área para exposições temporárias e tem uma vitrine em homenagem a Diana, a princesa de Gales. Nove vestidos, entre réplicas e outros realmente usados por Lady Di, peças que foram arrematadas por Milka em um leilão em Nova York, mostram um pouco do estilo desta mulher que foi símbolo de elegância para uma geração.

Além da área de exposições, o Museu da Moda conta com uma loja temática e uma cafeteria ideal para um papo fashionista pós-visita, ou para deixar o marido ou namorado à espera.

Desde o início das atividades, o museu vem atraindo, sobretudo, estudantes de moda. Segundo Gilnei Casagrande, diretor do museu, eles vêm de vários estados do Brasil e são recebidos pessoalmente pela direção do espaço. Muitos, conta Casagrande, nunca tinham ido a um museu específico sobre moda - até porque o mais perto que temos por aqui fica em Santiago, no Chile.


Museu da Moda
Av. Ernani Kroeff Fleck, 1.810, Canela, Rio Grande do Sul. Tel.: 0/xx/54 3282-1121. Informações: www.museudamodadecanela.com.br
Quanto: R$ 30 ou R$ 15 (crianças e pessoas acima de 60 anos)

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