Moda

Estampar é a palavra de ordem no verão até para os homens

Alexandre Schneider/UOL
Uma alternativa para a clássica camisa com estampa de folhagens é a de flores grandes apresentada pela marca carioca Ausländer e combinada com calça preta imagem: Alexandre Schneider/UOL

Ricardo Oliveros

Do UOL, em São Paulo

Os lançamentos para o Verão 2013 apresentados no Fashion Rio seguiram à risca a cartilha dos escritórios de tendências e estamparam tudo o que podiam nas coleções masculinas: sungas, bermudas, calças, camisas, blazers, camisetas. Se em outras estações, as cores fortes deram as cartas, a estampa digital é o grande destaque da temporada. As outras apostas não apresentaram grandes novidades, como bermudas acima do joelho, a alfaiataria jovem, as calças mais curtas e uma silhueta relaxada, mas nem tanto. Saiba o que aconteceu de mais bacana na semana de moda carioca, apresentada entre 22 e 26 de maio, no Jockey Club Brasileiro.

Estampa digital é a grande aposta
A estampa digital tem pouco mais de 20 anos. Porém, os recentes avanços tecnológicos de impressão tornaram possível estampar qualquer imagem em diferentes tipos de tecidos. Se antes os tecidos estampados tinham de ser fabricados em larga escala por causa do processo complexo e que envolvia altos custos (preparação do desenho, produção de fotolitos, tintas e impressão), atualmente é possível imprimir imagens com qualidade fotográfica em metragens menores e com custos mais baixos, algo que para a era do “fast-fashion” é uma "mão na roda". 

O que faltava para a onda explodir de vez foi a adesão de marcas de luxo como Gucci, Prada, Balenciaga e Givenchy, que lançaram coleções em que as estampas tiveram lugar de honra. Escritórios de tendências como o WGSN e Stylesight apontaram como referência da impressão digital a jovem estilista grega sediada em Londres, Mary Katrantzou, que ganhou destaque em tapetes vermelhos e acabou de lançar uma coleção para a Topshop, popular rede inglesa de varejo.

A tendência internacional desembarcou com força no Fashion Rio e foi incorporada pelas dez marcas que desfilaram moda masculina. Entre as imagens estavam fundo do mar, folhagens, pássaros, estampas lisérgicas, ultracoloridas e distorcidas dos anos 1970, além das tribais, que já viraram clássicas no verão.

Enquanto, nas passarelas, um recurso de estilo muito usado foi o uso de conjuntos completamente estampados -alguns até com a sobreposição de diferentes estampas- na vida real o que pode “pegar” é o uso de uma única peça com estampa, combinada a outras em cores neutras.

O problema da estampa é o prazo de validade da peça. As muito fortes acabam ficando datadas rapidamente, evidenciando a estação na qual foram produzidas, além de serem mais fáceis de enjoar quando usadas repetidas vezes. Neste caso, vale a pena investir em peças menores, como bermudas e camisetas, para dar uma atualizada no guarda roupa, sem comprometer muito o orçamento.

Moda praia teve um único representante masculino
A intenção de Paulo Borges, diretor criativo do Fashion Rio e do SPFW, é que a cidade carioca se transforme na grande plataforma de lançamentos de moda praia. Todavia, somente a Blue Man desfilou peças para o público masculino. A marca comemorou seus 40 anos de existência fazendo uma grande retrospectiva da sua história, de maneira atualizada.

“O sungão é o carro-chefe da Blue Man", declarou Thomaz Azulay, diretor criativo e sobrinho de Daniel Azulay, criador da marca, morto em 2009. Azulay diz que, além de ter grande aceitação por parte do público masculino, o sungão sofre uma concorrência menor do que as bermudas.

Apesar do destaque para o sungão, tivemos também as sungas menores, do estilo usado por nadadores, que são mais raras de se ver na praia. As bermudas, com o comprimento um pouco acima do joelho, não fizeram feio e também ganharam diferentes estampas. A tendência fica por conta das de alfaiataria -uma alternativa tanto para aqueles homens que estão acima do peso, como para o uso urbano, longe das areias da praia.

  • Alexandre Schneider/UOL

    Alfaiataria ganha informalidade com o jeans, como fez a Reserva

Alfaiataria casual é para quem quer experimentar novos ares
Peças em alfaiataria sempre foram sinônimos de roupas formais. Dos anos 1990 para cá, muitos estilistas masculinos vêm experimentando dar um toque mais casual para a alfaiataria e um ar mais arrumado para as roupas esporte.

As marcas Reserva, R. Groove, Akihito Hira e TNG mostraram boas versões desta tendência, que apresenta ternos e costumes feitos em tecidos como jeans e em cores que fogem do padrão azul-marinho e cinza. Há ainda a tentativa de emplacar o uso do paletó com bermuda, que vem sendo apresentado nas passarelas há várias estações. O uso de blazer desestruturado, sem forro e sem ombreiras marcadas já é uma peça mais aceita e ótima saída para quem quer estar mais elegante, mesmo nos dias quentes.

Calça “pescando siri” é aposta recorrente na moda masculina
Em termos de calças, a palavra da moda é "cropped" (do inglês cortado), no Brasil conhecida como “pescando siri” ou "pula-brejo". É uma calça mais curta, que foi sucesso nos anos de 1950, e agora volta às passarelas. A TNG apostou neste comprimento até em roupas mais formais como o terno, numa tentativa de rejuvenescer a peça tradicional. R.Groove apresentou calças com silhuetas mais folgadas e que são ótimas para usar no verão.

Tudo bem que isso não é nenhuma novidade, pois jovens europeus já adotaram o estilo há algumas temporadas. Uma forma de usar esta tendência é deixar a calça no comprimento certo e enrolar a barra quando quiser um ar mais relaxado. Use com chinelo, tênis, mocassim sem meias (ou opte pelos modelos sem cano, conhecidas como meias invisíveis). 

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