Moda

Trajes sociais das Olímpiadas têm tendências de moda e de roupas para as ruas

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Tendências de moda nas Olímpiadas: gola "bebê" da Bélgica, "ombré" de El Salvador e costume ajustado de Mônaco imagem: Reuters/AFP/Retuers

Fernanda Schimidt

Do UOL, em São Paulo

Com o início de um evento do porte e badalação das Olimpíadas, as atenções ao redor do mundo naturalmente se voltam para os atletas, comissões técnicas e a cidade-sede dos jogos. Junte a isso estilistas de peso por trás das criações dos uniformes das delegações e é certeza que até o pessoal da moda, quase sempre um bocado avesso aos esportes, vai se sentir atraído.

Os uniformes utilizados durante as competições dão menor espaço para o design de moda. A criação é engessada seja por necessitar de tecidos específicos, cores fixas ou modelos pré-estabelecidos (a regata no basquete, o colant na ginástica, o shortinhos no vôlei ou as camisas de futebol) e oferecem pouca margem para análises de tendências – exceção para o hipismo, fonte constante de inspiração para a moda e foco de grifes cobiçadas como a francesa Hermès, e o tênis, que presenteou o guarda-roupa contemporâneo com a clássica camisa polo, criada pelo tenista René Lacoste, em 1933.

Portanto, para fins de observação de estilo, a melhor alternativa é olhar para o entorno das quadras, o antes e o depois. É lá que são exibidos os trajes sociais e aqueles complementares ao uniforme de competição como os agasalhos de tactel e também onde estão as autoridades de cada país participantes, muitas delas vestidas a caráter para demonstrar seu apoio às equipes.

O desfile de delegações na abertura das Olímpiadas de Londres, realizada na última sexta (27), é a principal vitrine destas criações que focam a boa imagem dos atletas e são fruto de um maior exercício de criatividade de estilistas e marcas esportivas. Da apresentação, pode-se separar os uniformes em três tipos distintos e muito bem definidos: formal, esportivo e étnico.

Apesar de apresentar peças básicas, como costumes (paletó e calça) monocromáticos, os trajes formais foram responsáveis por boas sugestões de moda mesmo para quem não é adepto do estilo esportivo. Tendências que estão em alta, como a gola “bebê” e o “ombré” (degradê que também faz sucesso entre as fãs de beleza e esmaltes), foram adaptadas com sucesso para a passarela atlética e podem facilmente ir para as ruas.

Já os conjuntos esportivos, em sua maioria, remeteram ao clássico look de agasalho, não muito bem visto fora das quadras pelos olhares da moda. Alguns casacos, entretanto, exibem estampas arrojadas e podem ser vistos como um complemento de uma produção casual para o dia a dia.

Os trajes étnicos ou tradicionais e religiosos foram priorizados por países da África, Ásia, Pacífico e Oriente Médio e fazem sentido dentro do contexto olímpico, como maneira de reafirmar a sua identidade e ressaltar o espírito de união entre povo e atletas. Caftans, ponchos, jihabs e thawbs vieram em cores fortes e em um interessante mix de estampas – promessa de sucesso no próximo verão brasileiro. É importante lembrar que a busca por raízes na vestimenta é algo em voga na moda, mas que não precisa ser absorvido de maneira tão literal. Os elementos étnicos podem ser aproveitados facilmente por meio de acessórios ou ainda em peças principais, repaginadas para uma produção atual.

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