Moda

Periguetes são paixão nacional e independem da moda

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Suelen, de "Avenida Brasil"; Babalu, de "Quatro por Quatro"; e Carla Perez, na época de É o Tchan imagem: Divulgação/Divulgação/Reprodução

Fernanda Schimidt

Do UOL, no Rio de Janeiro

Enquanto saudosos de Carminha e suas maldades lamentam o fim de “Avenida Brasil”, os fãs das periguetes não têm do que reclamar da nova trama global, “Salve Jorge”. Elas estão lá, aos montes.

Com os olhares voltados às pernas de fora de hoje em dia, há quem ache que as “Suelens” e suas colegas sejam exclusividade de 2012 ou da nova classe C, tão falada e analisada nos últimos anos, fruto do crescimento econômico brasileiro em meio a uma grave crise mundial. Esses esquecem-se das Babalus e Darlenes, das dançarinas do É o Tchan, ou ainda da mais recente Geisy Arruda.

“Elas já estavam há muito tempo na moda e vão continuar. Não é só no Brasil, o mundo inteiro gosta de uma periguete”, explica a consultora de moda Gloria Kalil. A jornalista Heloísa Marra acredita que o estilo vai além das tendências de moda e segue seu rumo, independente e paralelamente. “Elas vão se transformando. Daqui a pouco, estarão com ombreiras futuristas, mas mostrando tudo, é claro”, afirma ela, em referência à predileção por roupas reveladoras.

Os comprimentos são caracteristicamente curtos, mas têm ficado ainda menores com o passar dos anos. É o que a consultora e empresária Costanza Pascolato chama de “roupas abreviadas”. “Em comparação aos anos 1980, nós diminuímos muito a quantidade de tecido, e eu sei disso porque vendo tecido”, conta ela que é dona da tecelagem Santa Constancia.

Para Costanza, a cultura periguete virou assunto por uma questão de mercado, agravada pelo consumo de moda feito no exterior. “Roupa no Brasil é muito caro, então a indústria brasileira de confecção tem de ir para esses consumidores”, afirma. Ela vê essa questão como algo tipicamente nacional. “A periguete é um símbolo da mulher desta nova sociedade emergente, de papéis embaralhados, que se manifesta por meio da sexualidade”, diz.

A empresária afirma não julgar as mulheres que adotam o estilo sensual, mas critica o exemplo que passam – dentro e fora de casa – para crianças e adolescentes, que copiam o que vêem, sem distinções.

“A classe média brasileira existe há apenas 150 anos, é muito recente. A culpa não é do Brasil, é de quem colonizou e largou a população desse jeito, sem interesse por uma educação formal. Foi pura exploração e continua sendo”, completa.

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